Michel Temer discursa na ONU. (Foto: EBC)
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Ao abrir os debates gerais da Assembleia Geral da ONU nesta terça (19), o presidente Michel Temer mandou um recado à Venezuela, dizendo não haver mais lugar "para alternativas à democracia" na região.

No discurso, em grande parte focado em questões externas, Temer também destacou posições brasileiras que vão contra medidas tomadas e defendidas pelo presidente americano, Donald Trump, criticando o protecionismo e "nacionalismo exacerbados" e defendendo o Acordo de Paris sobre o clima.

O presidente não mencionou a crise política no Brasil, e disse que o país está "superando uma crise econômica sem precedentes" com reformas estruturais. Segundo ele, o Brasil "atravessa momento de transformações decisivas". Nos governos Dilma e Lula, grande parte da exposição do presidente na Assembleia era dominada pela exaltação dos programas sociais.

"Estamos resgatando o equilíbrio fiscal. E, com ele, a credibilidade da economia. Voltamos a gerar empregos. Recobramos a capacidade do Estado de levar adiante políticas sociais indispensáveis em um país como o nosso", disse Temer.

De acordo com o presidente, o Brasil está aprendendo "na prática" que é preciso responsabilidade fiscal para ter responsabilidade social. "O novo Brasil que está surgindo das reformas é um país mais aberto ao mundo", afirmou.

Sobre Venezuela, Temer destacou a deterioração dos direitos humanos no país e disse que o Brasil está "ao lado do povo venezuelano". Ele destacou que o país tem recebido "milhares de migrantes e refugiados da Venezuela".

"Na América do Sul, já não há mais espaço para alternativas à democracia. É o que afirmamos no Mercosul, é o que seguiremos defendendo."

A grave crise política e econômica no país vizinho foi o tema principal do jantar oferecido na noite de segunda (18) por Trump a Temer e aos presidentes Juan Manuel Santos (Colômbia), Juan Carlos Varela (Panamá) e à vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti.

Aos EUA de Trump, o recado foi de que ideias que não deram certo no passado não podem "render frutos" hoje. "Recusamos os nacionalismos exacerbados. Não acreditamos no protecionismo como saída para as dificuldades econômicas -dificuldades que demandam respostas efetivas para as causas profundas da exclusão social", disse Temer.

Ele ainda disse que as potências nucleares, entre elas os EUA, devem assumir "compromissos adicionais de desarmamento". Na quarta (20), Temer assinará um texto acordado por 122 países da ONU que proíbe armas nucleares -entre eles, não estão as nações com esse tipo de armamento, como EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.

O presidente também afirmou que o Brasil "seguirá empenhado na defesa do Acordo de Paris". "Essa é matéria que não comporta adiamentos. Há que agir já", disse.

Meio ambiente

O presidente aproveitou os holofotes para dizer que, no último ano, o Brasil reduziu mais de 20% do desmatamento na Amazônia. Temer foi duramente criticado ao extinguir, recentemente, a Renca (Reserva Nacional de Cobre e seus Associados), no Amapá. O presidente, no entanto, suspendeu o decreto por 120 dias no final de agosto após a forte reação negativa.

"O desmatamento é questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia. Nessa questão temos concentrado atenção e recursos", disse Temer. "Pois trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos", completou.

Temer condenou "com toda veemência" os testes com mísseis da Coreia do Norte, dizendo que eles constituem uma "grave ameaça, à qual nenhum de nós pode estar indiferente". "É urgente definir encaminhamento pacífico para situação cujas consequências são imponderáveis", afirmou. (Folhapress)

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