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Coronel Nunes. (Foto: Lucas Figueiredo)
coronel nunes

Antônio Carlos Nunes, 79, coronel da reserva da Polícia Militar paraense, será o presidente interino da CBF. Ele ocupará o cargo de Marco Polo Del Nero, suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa por 90 dias.

Nunes é um aliado de Del Nero. Ele já havia presidido a entidade no início de 2016, quando Del Nero pediu licença por 150 dias após ser indiciado pela Justiça dos EUA.

Vice mais velho da CBF, ele foi eleito às pressas com apoio de Del Nero para evitar a posse do opositor Delfim Peixoto, 75, morto um ano depois no acidente aéreo da Chapecoense. Coronel Nunes é atualmente o primeiro na linha sucessão da CBF -pelo estatuto da confederação, o vice mais velho assume o poder em caso de renúncia do presidente da entidade.

Há 19 anos, a idade também o ajudou. Em 1997, Nunes empatou no pleito da federação paraense com Euclides Freitas Filho. O ano de nascimento era critério de desempate. Mais velho que o rival, iniciou o domínio regional.

No período em que substituiu Del Nero, Nunes usou o jato da CBF para viajar para a paradisíaca Fernando de Noronha e para o Rio Grande do Norte.

O arquipélago que pertence a Pernambuco é uma das últimas fronteiras do futebol brasileiro. Lá, não existem clubes profissionais. Apenas times amadores que disputam campeonatos de várzea. Segundo a CBF, Nunes viajou para Fernando de Noronha para se encontrar com dirigentes da associação de futebol local.

Ele foi presidente da Federação Paraense de Futebol por mais de 20 anos. No período, a entidade ficou em uma casa modesta de dois andares no bairro de Guamá, um dos mais violentos da capital.

A sala do cartola -onde se encontram pinturas que o retratam- tem vista para o cemitério de Santa Isabel.

A construção contrasta com o edifício da CBF. Localizado na Barra da Tijuca, no Rio, a sede da entidade custou R$ 100 milhões.

DITADURA

Coronel Nunes ficou famoso no Pará por comandar o Batalhão de Choque. Entrou na Polícia Militar em 1967 e só a deixou em 1991.

Na ditadura militar, foi nomeado prefeito de Monte Alegre, sua cidade natal. Também foi deputado estadual.

Antes, serviu na Aeronáutica entre 1957 e 1966, quando foi obrigado a dar baixa como cabo. Os militares suspeitavam que integrantes do batalhão ajudavam a oposição ao regime e decidiram demitir os membros do grupo.

A demissão foi considerada perseguição política, o que lhe garantiu uma indenização de R$ 243 mil e um salário de R$ 14 mil.

Os outros militares demitidos se reúnem diariamente. Quando está lá, o cartola lancha com os antigos companheiros de batalhão.

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