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Marco Polo del Nero. (Foto: CBF News)
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SÉRGIO RANGEL
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Marco Polo Del Nero, foi banido provisoriamente do futebol pela Fifa por 90 dias a partir desta sexta-feira (15). A decisão foi tomada pelo comitê de ética da entidade e pode ser estendida por até 45 dias.

Segundo o comitê, o cartola está banido de todas as atividades relacionadas ao futebol no Brasil e no exterior. Ele deverá ser substituído como presidente da CBF por Antônio Carlos Nunes, o coronel Nunes. O ex-presidente da Federação paraense de Futebol é o vice mais velho da entidade.

Desde maio de 2015, quando o FBI começou a prender cartolas envolvidos em corrupção, Del Nero nunca mais viajou para o exterior. Ele é acusado na Justiça dos EUA de participar de um esquema de recebimento de propina com cartolas da América do Sul.
José Maria Marin, seu antecessor, é julgado nos EUA por extorsão, fraude financeira e lavagem de dinheiro no âmbito do escândalo de corrupção da Fifa.

Nesta quinta (14), durante suas considerações finais no julgamento, o advogado de Marin, Charles Stillman, lembrou analogia de Alejandro Burzaco, empresário argentino que comandava a firma de marketing Torneos y Competencias e estava no centro do esquema de pagamento de propinas, de que Marin era como um rei que fazia os discursos e participava de cerimônias, mas era Marco Polo Del Nero quem tomava as decisões.

"Marco Polo era quem mandava no show no futebol brasileiro", disse Stillman. "Os discursos pertenciam a Marin, mas as decisões eram de Del Nero. Ele era visto como quem mandava na CBF."

Del Nero também é alvo de inquérito da Polícia Civil de São Paulo, que apura irregularidades em convênios firmados pelo dirigente com o governo do Estado de São Paulo quando ele ainda comandava a FPF (Federação Paulista de Futebol).

O cartola está na presidência da CBF desde 2015 e tentaria a reeleição no próximo ano. Ele ainda não se pronunciou sobre a decisão da Fifa.

A decisão pelo banimento provisório foi tomada pelo grego Vassilios Skouris, chefe da câmara de arbitragem do Comitê de ética da Fifa, seguindo recomendação da colombiana Maria Claudia Rojas, chefe da câmara de investigação do mesmo órgão. Ambos ocupam seus cargos desde maio deste ano.

Segundo o código de ética da Fifa, a punição provisória aplicada a Del Nero pode ser dada quando há indícios de violação do código de ética e "uma decisão definitiva sobre o caso pode não ser tomada suficientemente cedo" ou para prevenir que a pessoa acusada interfira em investigação em andamento no comitê. O dirigente será convocado a fazer sua defesa perante o comitê.

Esta é a segunda vez que Del Nero se afastará da presidência da CBF desde que foi eleito, em maio de 2015. Em dezembro do mesmo ano, após ser indiciado pela Justiça dos EUA, o dirigente se licenciou do cargo.

Naquela ocasião, o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), vice-presidente da CBF como representante da região Centro-Oeste, assumiu interinamente o cargo. Em janeiro, coronel Nunes foi empossado como presidente da entidade. O cargo, porém, era apenas protocolar. Nos bastidores, era Del Nero quem continuava mandando na confederação. O cartola voltou a assumir oficialmente cargo em abril do ano passado.

Confira a nota da Fifa:

"O executivo do futebol Marco Polo Del Nero foi banido de todas as atividades do futebol por 90 dias pelo comitê de ética independente.

O presidente da câmara de julgamento do Comitê de Ética proibiu provisoriamente o presidente da federação brasileira (CBF), Marco Polo Del Nero, por um período de 90 dias.

A duração da proibição pode ser prorrogada por um período adicional não superior a 45 dias. Durante este período, o Sr. Polo Del Nero está proibido de todas as atividades de futebol a nível nacional e internacional. A proibição entra em vigor imediatamente.

A decisão foi tomada sob solicitação do presidente da câmara de investigação do Comitê de Ética que procedeu ao processo formal de investigação contra o Sr. Polo Del Nero, nos termos do art. 83, par. 1 e art. 84 par. 2 do Código de Ética da Fifa."

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