criancas a fazer desportoBRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em vez de tablets, TVs e jogos eletrônicos, atividades que estimulem os bebês a serem "fisicamente ativos", como alcançar, puxar e segurar objetos, e assim mover os membros do corpo.

A recomendação faz parte de um guia inédito da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), e que visa estimular a prática de atividades físicas por crianças e adolescentes -incluindo os bebês de até dois anos.

O documento, que será lançado nesta quinta-feira (27), é voltado a pais, escolas e pediatras. Ao todo, cerca de 28 mil especialistas devem receber o manual, que contém diretrizes como tempo e tipo de atividades recomendados de acordo com as diferentes faixas etárias.

Para os pediatras, mesmo bebês que ainda não começaram a se arrastar ou engatinhar devem ser estimulados a serem "fisicamente ativos". Neste caso, a dica é incentivar os pequenos a tentar alcançar, puxar ou empurrar objetos, por exemplo, de forma a mover a cabeça, corpo e membros.

Já para as crianças que já conseguem andar sozinhas, o manual recomenda ao menos 180 minutos de atividades que podem ser divididas durante o dia.

E existe um limite máximo de tempo? "Claro que não pode exagerar. A criança tem que ter o horário de descanso dela. Não pode forçar, é algo mais lúdico", afirma o pediatra Ricardo do Rêgo Barros, que atua na área de medicina do esporte na SBP e coordenou a elaboração do documento.

Se por um lado o manual recomenda um tempo mínimo de atividades para os pequenos, é taxativo quanto ao tempo recomendado em frente às telas de tablets, celulares e TVs para crianças até dois anos: zero. Acima dessa idade, o máximo é de até duas horas. "O que queremos acabar é com a inatividade. Temos hoje crianças e adolescentes muito ligados às telas. Queremos estimular uma vida mais saudável", diz o coordenador.

OUTRAS IDADES

O tempo mínimo indicado para atividades varia nas outras faixas etárias. Para crianças de três a cinco anos, a recomendação é de pelo menos 180 minutos de atividades de qualquer intensidade ao longo do dia, em especial aquelas que desenvolvam a coordenação motora. A partir dessa faixa etária, atividades físicas estruturadas, como natação, danças, lutas, podem ser incluídas, de acordo com o guia.

Segundo Barros, a falta de uma recomendação anterior para algumas atividades, como natação, ocorre devido ao baixo número de evidências de benefícios significativos à saúde.

"O que sabemos hoje em dia é que os benefícios da natação para bebês [menores] não são tão significativos. Se quiser como sociabilização, uma brincadeira, não tem problema. Mas não como indicação médica", afirma.

Já para crianças de 6 anos até adolescentes até 19 anos, o manual recomenda pelo menos 60 minutos de atividade física "moderada a vigorosa" -como pedalar, nadar, correr, saltar ou atividades que tenham, no mínimo, a intensidade de uma caminhada, informa o documento.

E musculação? De acordo com Barros, a possibilidade não é excluída, mas é necessário supervisão personalizada, e com equipamentos adequados.

"O que sugerimos é que nos meninos seja depois do estirão do crescimento, mais ou menos após 14 e 15 anos, e nas meninas, depois da menstruação", diz. Segundo o documento, a necessidade de supervisão pois a prática de exercícios de intensidade "moderada a vigorosa" pode contribuir para aumentar os níveis circulantes do hormônio do crescimento e o fator estimulante desse hormônio. Se não houver suporte, informa, exercícios feitos de forma extenuante podem reduzir o ganho de altura, o que ocorre quando há a inibição desses hormônios. O acompanhamento também é importante para evitar lesões.

De acordo com a SBP, a ideia de elaborar um documento com recomendações de atividades para as diferentes faixas etárias ocorre diante do aumento da obesidade no país -hoje, 18,9% dos adultos são obesos. Entre as crianças de cinco a nove anos, esse índice é de 14,3%, segundo dados de 2009 da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), do IBGE.

Veja as recomendações

CRIANÇAS DE 0 A 2 ANOS

>Aqueles que ainda não começaram a se arrastar/engatinhar devem ser encorajados a serem fisicamente ativos alcançando, segurando, puxando e empurrando objetos, movendo a cabeça, corpo e membros durante as rotinas diárias e durante atividades supervisionadas no chão

>Já crianças que conseguem andar sozinhas devem ser fisicamente ativas todos os dias durante pelo menos 180 minutos, em atividades que podem ser fracionadas durante o dia e ocorrerem em ambientes fechados ou ao ar livre, como ficar de pé, movendo-se, rolando e brincando, além de atividades mais energéticas como saltar, pular e correr

>Tempo recomendado de tela (TV, tablet, celular, jogos eletrônicos): zero

CRIANÇAS DE 3 A 5 ANOS

>Crianças dessa faixa etária devem acumular pelo menos 180 minutos de atividade física de qualquer intensidade distribuída ao longo do dia, incluindo atividades que desenvolvam a coordenação motora.

>Brincadeiras ativas, andar de bicicleta, atividades na água, jogos de perseguir e jogos com bola são práticas recomendadas

>A partir dos três anos de idade atividades físicas estruturadas, como natação, danças, lutas, esportes coletivos, entre outras, também podem ser paulatinamente incluídas

>Tempo recomendado de tela (TV, tablet, celular, jogos eletrônicos): máximo de 2 horas por dia

CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE 6 A 19 ANOS

>Crianças e adolescentes dessa faixa etária devem acumular pelo menos 60 minutos diários de atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, tais como pedalar, nadar, brincar em um playground, correr, saltar e outras atividades que tenham, no mínimo, a intensidade de uma caminhada

> Atividades de intensidade vigorosa, incluindo aquelas que são capazes de fortalecer músculos e ossos, devem ser realizadas em, pelo menos, três dias por semana. Ex. brincadeiras que incluam saltos, atividades de empurrar, puxar e apoiando/suportando o peso corporal

>Atividades de flexibilidade envolvendo os principais movimentos articulares devem ser realizadas pelo menos três vezes por semana

>Tempo recomendado de tela: máximo de 2 horas por dia (exceto para tarefas escolares)

Fonte: Manual "Promoção da Atividade Física na Infância e Adolescência", da Sociedade Brasileira de Pediatria

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