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José Sarney sempre encontra um tempo para a leitura. Foto: Ricardo Stuckert
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THAIS BILENKY, ENVIADA ESPECIAL

SÃO LUÍS, MA (FOLHAPRESS) - A fundação criada para preservar o acervo do ex-presidente José Sarney (1985-1990) pelo governo do Maranhão na gestão de sua filha, Roseana (MDB), foi esvaziada pelo sucessor, Flávio Dino (PC do B).

A investigação aberta pelo Ministério Público sobre a situação jurídica da instituição, que passou de privada para pública, foi arquivada, e o museu dá sinais de abandono.

A reportagem visitou a Fundação da Memória Republicana Brasileira no início da tarde do dia 15 de dezembro e encontrou o museu sem visitantes e poucos funcionários.

Salas como a que exibe os dois veículos usados por Sarney durante seu mandato presidencial estavam fechadas.

A Caravan de 1983, pertencente à sua mulher, Marly, que o ex-presidente usava para ir à fazenda São José do Pericumã (na divisa do DF com GO), e o Galaxie Landau de 1982 estavam empoeirados, com rabiscos feitos à mão em razão da poeira na lataria, e os vidros, embaçados.

Em paredes descascadas, peças foram removidas de exposição sem serem substituídas, e legendas coladas nas paredes estão incompletas, com letras descoladas.

Na galeria de presidentes da República, o último retrato exposto é de Dilma Rousseff (2011-2016). O seu sucessor, Michel Temer, que assumiu após o impeachment da petista, não foi incluído.

Outro sinal de desatualização, a linha do tempo relatando os principais aspectos dos mandatos presidenciais após a redemocratização, tendo sido de Sarney o primeiro deles, é interrompida na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

A coleção de pinturas que retratam Sarney, familiares e aliados como padres, freiras e apóstolos ainda se encontra em uma sala da fundação fechada ao público. Duas dessas telas foram danificadas por cupins e retiradas de suas molduras.

O Ministério Público abriu investigação quando a Fundação Sarney, criada pelo ex-presidente em 1990 em regime privado, foi tornada instituição pública, sob o nome de Fundação da Memória Republicana Brasileira, em 2011.

Alegava-se que o acervo estava sob cuidado público, mas permanecia ligado à entidade privada original, que não fora liquidada. Agora, o Ministério Público afirmou que o caso foi arquivado.

CONVENTO DAS MERCÊS

Localizada no centro histórico de São Luís, a instituição é sediada no Convento das Mercês, edificação do século 17, onde, em 1660, o padre Antônio Vieira proferiu o Sermão de São Pedro Nolasco.

O imóvel, um dos sete tesouros de São Luís, tampouco está revitalizado. Jardins internos estão sem manutenção e diversas salas estão sem uso ou improvisadas como refeitórios e de acesso restrito a funcionários.

Considerado pelo Iphan "um exemplo excepcional de cidade colonial portuguesa adaptada às condições climáticas da América do Sul equatorial", o centro histórico, fundado em 1612, está deteriorado, acometido por mau cheiro e insegurança.

O secretário Felipe Camarão (Educação), responsável pela instituição, disse que o governo Dino investiu R$ 3 milhões em reforma da infraestrutura do convento.

Agora, afirmou, promove a renovação museológica, com atualização da linha do tempo, rodízio de peças e revitalização de ambientes.

Segundo Camarão, o retrato de Temer será incluído após a conclusão de seu mandato. E os quadros da família Sarney retratada como religiosa não tiveram o seu destino discutido e por ora serão mantidos na reserva técnica.

"Têm de ser expostas as peças do período em que Sarney foi presidente da República, que são importantes para o Maranhão e para o Brasil, e lá estão muito bem cuidadas", afirmou o secretário estadual.

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Reportagem Especial

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