Promotores durante entrevista coletiva (Foto:DG)
coletiva operacao multigrana

Dez pessoas foram denunciadas à justiça pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) após a conclusão da 1ª fase da Operação Multigrana. Segundo os promotores responsáveis pelo caso, o vereador Zander Fábio (PEN), o ex-presidente da Agência de Turismo e Lazer (Agetul), Dario Paiva e o ex-diretor financeiro do Parque Mutirama, Geraldo Magela, seriam responsáveis por desviar R$ 2 milhões das bilheterias da unidade de lazer entre maio e dezembro de 2016. O MP pediu o afastamento de Zander do mandato de vereador.

Funcionamento da Suposta Fraude

O promotor Ramiro Capenedo, coordenador da Operação Multigrana destacou que a denúncia foi apresentada por Alexandre Magalhães (PSDC), atual presidente da Agetul. O promotor declarou que há provas concretas de que as supostas fraudes ocorriam de 2014 a 31 de dezembro de 2016. As provas são mais concretas no período de maio a dezembro do ano passado, espaço de tempo em que a Agetul foi presidida por Dario Paiva.

Segundo o Ministério Público, houve influência política do vereador Zander Fábio para que ocorresse a indicação de Dario Paiva para a Agetul, agência responsável pela gestão do Parque Mutirama. O vereador teria sido beneficiado com cinco depósitos bancários durante o período da campanha, com valores de R$ 5 a R$ 30 mil.

Ramiro Capenedo explicou que em na sede da LL Gráfica, empresa que confeccionava os ingressos do Parque Mutirama, foram encontradas algumas planilhas que apontavam as supostas irregularidades. Ele exemplificou que de um lote de 5 mil ingressos, 2 mil eram vendidos, os outros três mil eram confeccionados novamente. A duplicação dos ingressos era feita e assim os recursos eram desviados.

O coordenador das investigações declarou que 19 registros foram encontrados na gráfica a pedido de Geraldo Magela para fazer a duplicação dos ingressos. Os promotores declararam que o método da suposta fraude era “arcaico” e “rudimentar”.

Investigações realizadas indicam que houve forte influência política para que as prováveis irregularidades fossem cometidas. Dinheiro desviado das bilheterias das unidades de lazer era utilizado para fins partidários e particulares. O integrante do MP apenas destacou que havia benefício próprio e direcionado a partidos políticos. As apurações ainda continuam.

De acordo com o MP-GO, os suspeitos teriam chegado a desviar aproximadamente R$ 60 mil por fim de semana de funcionamento, apenas no Parque Mutirama.

“O dinheiro desviado temos a certeza e podemos afirmar que servia para o enriquecimento pessoal dos líderes do esquema, repartição dos operários e destinação de fins partidários também”, explicou.

Comparações

O Ministério Público promoveu comparações do faturamento diário e mensal nas gestões de Sebastião Peixoto, Dario Paiva e do atual presidente da Agetul, Alexandre Magalhães. No mês de julho de 2015 (Sebastião Peixoto) a média diária de arrecadação foi de R$ 22 mil. Em julho deste ano (Alexandre Magalhães), mesmo com o fechamento do parque a partir de 26 julho, após acidente que deixou 13 pessoas feridas, a média por dia arrecadada foi de R$ 43 mil e em julho do ano passado (Dário Paiva) a média foi de R$ 8 mil. Dário Paiva teria desviado R$ 700 mil. Zander Fábio além de ter sido beneficiado com depósitos bancários, teria desviado alimentos arrecadados no parque.

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Caixa 3

Os promotores disseram que houve Caixa 3 no Parque Mutirama. Funcionários que ocupavam postos menos importantes, mas estratégicos também desviavam recursos do Parque Mutirama.

Segundo o promotor, no Zoológico ainda há desvios de recursos. Segundo Ramiro Capenedo, foram colocadas catracas eletrônicas, mas teriam sido retiradas com a alegação que estava “atrapalhando o desvio”.

Acidente

Outro promotor que participou das ações, Thiago Galindo Placheski, explicou que se não fossem os recursos desviados, o Mutirama teria condições financeiras para fazer as manutenções necessárias e possivelmente o acidente do último dia 26 não teria acontecido.

Lista dos denunciados

1: Clenilson Fraga da Silva, vulgo “Soldado”.

2: Dário Alves Paiva Neto (ex-presidente da Agetul)

3: Davi Pereira da Costa

4: Deoclécio Pereira da Costa, vulgo “Dió”

5: Fabiana Narikawa Assunção

6: Geraldo Magela Nascimento (ex-diretor financeiro do Mutirama).

7: Larissa Carneiro de Oliveira

8: Leandro Rodrigues Domingues

9: Tânia Camila de Jesus Nascimento de Sousa

10: Zander Fábio Alves da Costa (vereador-PEN).

Íntegra da denúncia

Participação de cada um

De acordo com o Ministério Público de Goiás, Clenilson, Leandro e Tânia eram funcionários de confiança dos membros da alta cúpula da suposta organização. Eles operavam nas catracas. Foi identificado o aproveitamento dos recursos desviados para benefício próprio.

Foi destacado pelo Ministério Público que Dário Paiva chegou à condição de presidente da Agetul, por influência do vereador Zander Fábio. Os dois são do mesmo partido, PEN. A indicação já fazia parte de uma articulação para formação da chapa das eleições 2016. Segundo o MPGO, Dário teria canalizado o esquema de desvio do dinheiro dos ingressos em proveito próprio e também de aliados políticos.

Davi e Deoclécio “Dió”, irmãos que teriam sido ajudados por Dário Paiva com a nomeação para cargos em comissão e, em troca, figuravam como espécie de um possível braço criminoso do ex-presidente da Agetul.

Segundo o MPGO, Fabiana era funcionária de confiança de Geraldo Magela, que de acordo com as investigações, ela era sustentada por dinheiro que supostamente foi desviado do Mutirama. Ela teria inclusive chegado a pagar prótese de silicone com dinheiro ilícito, assim como compra de sapatos, bolsas, etc.

Foi destacado pelo Ministério Público que o ex-diretor Financeiro Geraldo Magela, antes da chegada de Dário Paiva era isoladamente o chefe da suposta organização criminosa, ele detinha a prerrogativa de indicar funcionários de confiança dele para ocupar cargos estratégicos dentro da provável ação ilícita. Ele teria desviado R$ 700 mil.

Já Larissa Carneiro assumiu o cargo de Magela, assim que foi desligado do Parque Mutirama. Ela teria se apropriado indevidamente de R$ 30 mil de dinheiro desviado da bilheteria.

Por fim, o Ministério Público de Goiás entende que o vereador Zander Fábio, eleito em 2012 e reeleito no ano passado teria feito uso do primeiro mandato dele para fazer alianças políticas no sentido de promover nomeações em locais estratégicos, entre elas a de Dario Paiva na presidente da Agetul e teria sido beneficiado com o dinheiro desviado das bilheterias.

Todos foram denunciados por integrar organização criminosa. Oito dos dez acusados com exceção de Deoclecio e Davi, foram denunciados por peculato.

Defesa

A reportagem não conseguiu contato com o ex-presidente da Agetul, Dario Paiva, com Geraldo Magela e outros denunciados que trabalhavam no Parque Mutirama. O Diário de Goiás conversou com o vereador Zander Fábio nesta sexta-feira (25), ainda antes da apresentação oficial da denúncia. Ele declarou que não pretende comentar nada em relação ao caso e orientou a reportagem a procurar o advogado dele. A reportagem também não conseguiu retorno.

Contato com a redação:
(62) 99625-9856

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