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(Foto: Eduardo Saraiva/ Fotos Pública)
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 O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) anunciou nesta quarta-feira (27) economia acumulada nos últimos três anos de quase R$ 1 bilhão nas contas do Estado, reforçando o discurso de responsabilidade fiscal que deve ser adotado em sua provável campanha à Presidência.

Ele evitou relacionar o anúncio à preparação para disputar o Planalto, justificando que busca fazer balanços em todo fim de ano.

"Acho que nós precisamos mudar a cultura. Margaret Thatcher dizia: não há dinheiro público, há dinheiro das famílias. [Dinheiro] que é retirado da mesa, do lazer da família. Essa questão fiscal é hoje o centro da crise para a qual o Brasil foi levado", afirmou.

Apesar da menção à ex-primeira-ministra britânica conhecida pela austeridade, o tucano tem dito que no Brasil uma política fiscal dura tem que ser acompanhada de programas sociais eficientes.

Na entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o governador detalhou os cortes que levaram à economia de R$ 997 milhões entre 2015 e 2017.

"O Brasil não tem mais como aumentar impostos, pelo contrário, deve reduzir a carga tributária. Só tem um caminho: melhorar a eficiência do gasto público. Fazer mais, fazer melhor, com menos dinheiro", disse Alckmin, dando um tom nacional à fala.

O resultado no Estado, segundo o governo, veio com medidas de gestão como renegociação de contratos e uso racional de recursos.

Só a redução de despesas com energia elétrica, telefonia e horas extras em diversos órgãos aliviou o caixa em R$ 424 milhões. No Poupatempo, com iniciativas para incentivar o uso do serviço na internet ou em totens, foram mais R$ 147 milhões.

Outros exemplos de ações foram a eliminação de 60 contratos de aluguel (economia de R$ 38 milhões), cortes de viagens ao exterior (poupando R$ 2,4 milhões) e a diminuição da frota usada pelo Estado (queda de R$ 57 milhões).

VOTOS

"Foi feito um trabalho importante e que não termina", afirmou Alckmin, mostrando aos repórteres um papel com o gráfico da diferença entre a arrecadação e as despesas nos últimos anos, no Brasil e em São Paulo.

"Nós tivemos uma queda de arrecadação e conseguimos passar por isso sem fazer deficit. Conseguimos fazendo o ajuste pelo lado da despesa."

O tucano confirmou o aumento das passagens de Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), mas não estabeleceu uma data para o reajuste.

"Tem que ter [aumento]. Já há um subsídio muito alto. Será o mínimo necessário. Mas isso é decidido pelas empresas do governo, junto com a Prefeitura [de São Paulo]", disse. O reajuste anterior foi em 2016.

Ao se despedir dos jornalistas e desejar boas festas, o governador brincou: "Como dizia um amigo, votos de feliz Ano-Novo. Eu disse: 'Olha, se tiver votos, já é o suficiente'".

'SHOWMAN'

Alckmin criticou a declaração do ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo de Michel Temer, que nesta nesta terça-feira (26) disse que a liberação de recursos de bancos públicos em troca de apoio à reforma da Previdência não é "chantagem", mas sim uma "ação de governo".

"Não é possível", reagiu o paulista. "É um equívoco. O governo tem o dever de trabalhar pela reforma, mas não pode vincular financiamento de banco público a votação de deputado. O que nós precisamos ter é convencimento, da população e dos deputados."

Marun admitiu que está usando a liberação de dinheiro da Caixa Econômica Federal como moeda de troca com governadores para que eles pressionem deputados a aprovarem as mudanças nas regras de aposentadoria.

Pré-candidato a presidente pelo PSDB, Alckmin não quis comentar a afirmação do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB-AM), de que a comissão de ética do partido deveria questionar o governador paulista sobre formação de cartel em obras contratadas pelo Estado.

Virgílio também se apresenta como pré-candidato na sigla e tem rivalizado internamente com Alckmin. Na semana passada, o prefeito disse ao jornal "O Globo" que "não pode ficar essa zona cinzenta, de você não saber o que dizer se alguém te aborda" sobre o cartel.

A linha de defesa do governo é que o Estado foi vítima do esquema e que servidores que tiverem alguma responsabilidade serão punidos.

No início da manhã desta quarta-feira, Alckmin disse à rádio Jovem Pan que o Brasil não precisa de "showman", num indicativo de que não está disposto a elevar a temperatura de seu discurso durante a campanha presidencial.

"Vejo críticas de que falta carisma. Brasil não precisa de 'showman'. Se quiser vai no show do Tom Cavalcante. Brasil precisa de governo que tenha competitividade, reformas, modernizar o país, buscar competitividade. Não sou da ribalta. A coisa da discurseira é atrasada."

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