Sede da Odebrecht / Foto: Rivaldo Gomes
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Um ex-funcionário da Odebrecht que aceitou colaborar com a Justiça há um ano e reluta em admitir crimes de que foi acusado pelos procuradores da Operação Lava Jato reconheceu nesta quinta-feira (14) a prática de corrupção ativa, mas não de outros delitos imputados a ele.

Ex-gerente de uma obra realizada para a Petrobras por um consórcio de empreiteiras liderado pela Odebrecht, Paulo Sérgio Boghossian foi acusado pelo Ministério Público Federal de ter corrompido um gerente da estatal para garantir vantagens para as empresas durante a execução da obra.

Em dezembro de 2016, ele assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria, junto com outros 77 executivos e ex-funcionários da Odebrecht que passaram a colaborar com a Justiça no ano passado em troca de penas mais brandas para seus crimes e outros benefícios.

Há um mês o Ministério Público pediu à Justiça o cancelamento dos benefícios de Boghossian, apontando contradições em seus depoimentos e alegando que ele descumpriu o acordo de delação premiada ao não admitir crimes e não cooperar com as investigações.

Procuradores avisaram a Odebrecht que consideram a punição uma medida de caráter pedagógico, num momento em que outros colaboradores exibem desconforto com a situação a que chegaram após aderir aos acordos celebrados há um ano.

ACUSAÇÃO

Em memorial apresentado nesta quinta ao juiz Sergio Moro, que conduz os processos da Lava Jato em Curitiba, os advogados de Boghossian reafirmam o teor de seus depoimentos e rejeitam a interpretação dos procuradores de que ele se contradisse ao ser interrogado por Moro em novembro.

Boghossian admitiu à Lava Jato que contratou três consultores para tentar acelerar a aprovação de pedidos das empreiteiras na Petrobras durante a construção da sede administrativa da estatal em Vitória (ES) e disse que um deles, Eduardo Freitas, foi indicado pelo gerente da Petrobras encarregado de fiscalizar a obra, Celso Araripe.

O ex-funcionário da Odebrecht, que trabalhou na obra entre 2007 e 2011, entregou ao Ministério Público cópias de emails que documentam suas tratativas com os consultores. As mensagens mostram que Freitas se apresentava como amigo de Araripe e dizia ter condições de exercer influência sobre ele.

Segundo a Procuradoria, o contrato com o consultor serviu para viabilizar pagamentos de R$ 3 milhões em propina para Araripe. Freitas repassou boa parte do dinheiro por meio de depósitos em espécie em contas de Araripe, que atribui os pagamentos a uma transação imobiliária realizada com o consultor.

Em seus depoimentos, Boghossian afirmou que alguns pedidos das empreiteiras foram atendidos pela Petrobras após a contratação de Freitas, mas disse que nunca soube de pagamentos de propina.

Ao admitir o crime de corrupção ativa, o ex-funcionário da Odebrecht pediu a aplicação da pena mínima de dois anos de prisão e a manutenção dos benefícios garantidos a ele pelo acordo de delação premiada, que permitem cumprir a maior parte da pena em casa.

Boghossian pediu absolvição da acusação de associação criminosa e da maioria das acusações de lavagem de dinheiro, alegando que só autorizou um dos pagamentos feitos pelas empreiteiras ao consultor.

O caso agora será julgado por Moro, que deve anunciar sua sentença no ano que vem.

Ricardo Balthazar, Folhapress

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