A direção nacional do PSDB puxou a rédea para pressionar a bancada tucana na Câmara a votar obrigatoriamente a favor da reforma da Previdência.

O presidente interino do partido, Alberto Goldman, disse nesta terça-feira (5) que sua posição pessoal é pelo fechamento de questão, isto é, que os deputados sejam condicionados a votar pelo texto para não serem expulsos da sigla.

"Nunca falei nem que sim nem que não, é uma possibilidade. A minha posição é favorável ao fechamento, o partido precisa ter uma posição clara e definida", afirmou Goldman.

O tom dessa vez é mais incisivo do que o de duas semanas atrás, quando Goldman afirmou que "nunca entrou em cogitação fechar questão."

A assertividade ocorre após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltar a defender o voto pela reforma previdenciária em artigo no domingo (3). Além dele, o senador Aécio Neves (MG), presidente afastado do PSDB, entrou em campo, conforme mostrou a Folha de S.Paulo, para pressionar os deputados.

A votação estava marcada para esta quarta-feira (6), e a Executiva tucana reservou encontro para debater a questão na mesma data.

O líder da bancada do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), porém, disse não saber se haverá quorum.

"Se a maioria da bancada entender e os senadores entenderem que deve fechar questão, a Executiva se reúne. Se a maioria entender que não, não tem fechamento questão", replicou.

O deputado sugeriu postergar a decisão para depois da convenção nacional do PSDB, no sábado (9), que renovará o comando partidário. O governador paulista, Geraldo Alckmin, favorável ao texto, deve assumir o partido.

"Se não vai votar [a reforma no] dia 6, o mais prudente era deixar para a nova Executiva do partido discutir o fechamento de questão", disse.

Concessões

As divergências ocorrem também no mérito. Tripoli encomendou à assessoria técnica da liderança do PSDB na Câmara um estudo sobre a viabilidade de flexionar medidas da reforma.

Segundo antecipou em entrevista na semana passada, algumas das mudanças sugeridas seriam a concessão de benefício integral na aposentadoria por invalidez, permissão para acumular benefícios (pensão e aposentadoria) até o teto do INSS e uma regra de transição especial para servidores que ingressaram no sistema até 2003.

O líder disse à reportagem que, dos cinco pontos da nota técnica, abriria mão de dois, mas não informou quais. A aposentadoria integral por invalidez, sugerida pela deputada Mara Gabrilli (SP), é inquestionável, disse Tripoli.

Goldman, por sua vez, disse que o texto em elaboração na liderança da Câmara não representa a posição do PSDB. "É coisa dele, não é coisa nossa", disse. "Tem elementos de recuo, e nós não vamos recuar."

O presidente interino do PSDB cobrou a apresentação do texto final a ser votado na Câmara, em reformulação pelo deputado Arthur Maia (PPS-BA). "Tem que ter o texto [para definir a posição do partido]. A tese que defendemos é a diminuição das desigualdades e a eliminação de privilégios. Quanto mais avançar nesse sentido, mais positivo será."

Nos últimos dias, o presidente Michel Temer (PMDB) passou a articular com Arthur Maia, relator da reforma na Câmara, uma versão mais enxuta da medida para garantir apoio mínimo para sua aprovação.

O governo, inclusive, prometeu liberar R$ 3 bilhões em 2018 a prefeitos que convencerem deputados a votar pela medida.

Aliado a Aécio, o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) ainda se mostrou resistente a fechar questão para evitar a expulsão de dissidentes, mas apelou aos deputados que votem a favor da reforma pensando na coerência do discurso e no apoio que o PSDB receberá na eleição presidencial de 2018, sobretudo do PMDB.

Segundo Pestana, Alckmin iria a Brasília ainda nesta terça e a expectativa é que negociasse a questão com a bancada. A assessoria do governador não confirmou a viagem.

"Ele é o nosso principal candidato e o desdobramento dessa votação terá impactos na preparação do tabuleiro de 2018. Estamos a dez meses da eleição e a sete das convenções. Então, isso trará uma marca muito forte em termos da consistência da nossa candidatura", argumentou o deputado.

"Geraldo está chegando hoje em Brasília. Espero que faça contatos e lidere o posicionamento do PSDB de apoiar a reforma. Fechar questão é secundário, é desmoralizante."

Pestana disse que os colegas resistem a apoiar a reforma da Previdência por ser uma medida impopular. "É tática eleitoral, deputados acham que vai tirar voto." (Folhapress)

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