Joesley Batista. (Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress)
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O empresário Joesley Batista, dono da JBS, permaneceu calado em reunião das CPIs da JBS e do BNDES para a qual foi convocado a depor, no Senado Federal, nesta terça-feira (28).

Seu advogado, Ticiano Figueiredo, afirmou aos parlamentares que Joesley não responderia às perguntas pela "situação jurídica" em que se encontra. Joesley está preso em São Paulo após ter sua imunidade adquirida em acordo de delação premiada revogada.

Joesley respondeu a quase todos os questionamentos de senadores e deputados, em sessão que durou cerca de quatro horas, com a mesma frase: "eu me mantenho em silêncio". O empresário replicou de forma diferente apenas, murmurando fora do microfone, quando o presidente da CPI da JBS, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), perguntou quantos anos têm ele e seu irmão, Wesley.

Ataídes afirmou que pediria a rescisão do acordo de delação premiada do empresário caso ele decidisse permanecer quieto, como aconteceu. Segundo o senador, mesmo que tenha tido seus benefícios suspensos, o delator deveria se pronunciar na comissão por ter renunciado ao direito de ficar em silêncio ao firmar delação.

Ele ouviu quieto as provocações dos parlamentares. "Eu acho que o senhor não é tão bandido quanto o senhor confessa ser", afirmou o relator da CPI da JBS, Carlos Marun (PMDB-MS).

"O senhor que era um mafiosinho de terceira categoria resolveu achar que era um Al Capone", disse ele, ao questionar a veracidade das afirmações da delação de Joesley, que implica o presidente Michel Temer, de quem Marun é um dos mais ferozes aliados.

Registraram presença na sessão 21 parlamentares de ambas as comissões. Eles também questionaram o papel da PGR (Procuradoria Geral da República) e do Ministério Público. "Como nós podemos aceitar que essa turma lá de Curitiba aponte o dedo para o congresso nacional, e decida quem pode ou quem não pode ser eleito", afirmou o deputado Wadih Damous (PT-RJ).

Joesley, seu o irmão Wesley Batista e mais cinco diretores da JBS firmaram em maio um acordo de delação premiada com a PGR, com a garantia de imunidade.

O empresário, porém, foi preso em setembro, acusado de omitir informações durante o processo de colaboração. Ele apareceu na sessão da comissão visivelmente mais magro e abatido.

Seu irmão também foi detido, acusado de ter se aproveitado da colaboração para lucrar no meio de uso de informações privilegiadas no mercado.

Wesley prestou depoimento à CPI da JBS no dia 8 de novembro, em que afirmou, em fala de cerca de dois minutos, que os delatores estão sendo "perseguidos pelas verdades que disseram.

Assim, como Joesley, Wesley se recusou a responder perguntas dos senadores e deputados que compõem a comissão mista. Ainda devem ser ouvidos pela CPI da JBS nesta semana o advogado Rodrigo Tacla Duran e o ex-procurador Marcelo Miller.

Ataídes também afirmou que pautará para a sessão desta quarta-feira (29) a votação de requerimentos de convocação de políticos para deporem na CPI. Dentre eles, os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-ministro Antonio Palocci, e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso em Curitiba, e o ministro Henrique Meirelles (Fazenda).

Além deles, também serão votados pedidos de acareação do depoimento do diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva e do advogado Willer Tomaz. (Folhapress)

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