Uma operação do Batalhão de Choque na favela do Caju, zona portuária do Rio, terminou com sete pessoas mortas, 11 suspeitos presos e 14 fuzis apreendidos.

A polícia não divulgou a identidade dos mortos. Eles foram atingidos durante o confronto, que começou na madrugada deste sábado (25) e se estendeu até o final da manhã.

Suspeitos de integrarem o tráfico de drogas, eles chegaram a ser socorridos ao hospital, mas não resistiram. A Delegacia de Homicídios da Polícia Civil irá investigar o caso.

A operação ocorreu porque agentes da UPP do Caju pediram apoio do Batalhão do Choque porque havia uma tentativa de invasão por bandos de traficantes rivais.

O Caju, dominado pela facção ADA (Amigos dos Amigos), estaria sendo invadido por 30 homens da Favela Parque União, na zona norte, controlada pelo CV (Comando Vermelho). A ação começou as 2h da madrugada.

O comandante do Choque, coronel Mauro Fliess, disse em entrevista coletiva na tarde deste sábado que quando a unidade chegou a favela, já havia uma intensa troca de tiros. Uma criança de seis anos teria sido atingida de raspão pelos traficantes e levada ao hospital.

Os policiais intervieram no confronto. Próximo ao local onde sete homens foram encontrados feridos, também foram encontrados sete fuzis.

Mais tarde, por volta das 11h, hora em que os policiais ainda faziam buscas na comunidade, uma denúncia chegou aos agentes, dando conta de que traficantes teriam invadido a casa de um morador.

Os policiais cercaram a casa e os bandidos se entregaram. Outros sete fuzis estavam de posse desses suspeitos. No total, portanto, foram apreendidos 14 fuzis na operação.

No final do dia, a polícia divulgou um balanço. Onze pessoas foram presas, 14 fuzis apreendidos, além de um pistola, 37 carregadores, 780 munições de diversos calibres, quatro granadas e coletes balísticos em quantidade não divulgada.

Bandidos da favela do Caju são apontados pela polícia como os principais aliados do grupo de Antonio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, que tentou retomar a venda de drogas das mãos de Rogério Avelino, o Rogério 157 em setembro passado.

Poucos dias depois de entrar em ação na Rocinha, a polícia fez operações conjuntas no Caju e encontrou dez fuzis na comunidade e prendeu um dos chefes da quadrilha local. Teriam partido do Caju e da Vila Vintém os grupos de bandidos que tentaram invadir a Rocinha e retomar o controle do tráfico no local. Nem, preso em Rondônia, teria dado a ordem de invadir a favela, controlada até então por Rogério 157, da mesma facção, mas que provocou um racha ao se negar a atender as ordens do chefe preso.

Os dez fuzis apreendidos, segundo a Polícia Civil, tinham como destino final o conflito na Rocinha. Até hoje, após um mês de intervenção policial na Rocinha em setembro, inclusive com apoio do Exército, não está claro qual dos grupos domina o tráfico no morro de fato.

Rogério 157 não foi preso ainda e continua foragido, assim como integrantes de sua gangue. As informações iniciais eram de que Rogério teria se bandeado para o CV e deixado a ADA. Homens ligados ao Nem continuam a planejar a volta do controle das bocas de fumo da Rocinha, tidas como as mais rentáveis do Rio.

Crise generalizada

O Rio enfrenta uma grave crise financeira, com cortes de serviços e atrasos de salários de servidores, e está perto de um colapso na segurança pública.

Um outro efeito dessa crise tem sido o aumento dos índices de criminalidade e a redução do número de policiais em favelas ocupadas por facções criminosas.

As UPPs, base policiais em comunidades controladas pelo tráfico, perderam não apenas seu efetivo, mas a confiança dos moradores. Para a maioria, elas não melhoraram a segurança da cidade (62%), das comunidades com UPPs (57%) nem os seus entornos (56%). Para 70% dos moradores, esse modelo precisa de mudanças.

Nos últimos meses, têm sido rotina mortos e feridos por bala perdida, além de motoristas obrigados a descer de seus carros para se proteger dos tiros -24% dos moradores dizem ter tido algum amigo ou parente vítima de arma de fogo nas últimas semanas.

Policiais

Outro braço dessa crise é a morte de policiais. Só neste ano já foram mais de cem PMs assassinados no Estado. A situação de insegurança também levou o presidente Michel Temer (PMDB) autorizar o uso das Forças Armadas para fazer a segurança pública do Rio até o final do ano que vem.

Segundo o Datafolha, 83% dos moradores do Rio são favoráveis à atuação dos militares no combate à violência local, e 15% são contrários. Sobre a eficácia, 52% dizem que a presença do Exército não mudou em nada a realidade local -44% afirmam que melhorou, e 2%, que piorou.

A sensação de desconfiança dos cariocas também pesa contra os policiais militares. O morador tem mais medo (67%) do que confia (31%) neles. No entanto, quando os entrevistados são questionados sobre a Polícia Civil e o Bope, braço da PM que inspirou o filme Tropa de Elite, a tendência se inverte e a confiança se torna maior que o medo.

O Datafolha também quis saber de quem os moradores do Rio têm mais medo. Entre as opções no questionário, 49% disseram bandidos, 23% polícia e outros 23% ambos na mesma proporção. Só 2% responderam não ter medo de nenhum deles. O temor da polícia cresce a 28% entre os mais pobres (até dois salários mínimos de renda familiar mensal) e os mais jovens (16 a 24 anos). (Folhapress)

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