Principal defensor da agenda de reformas do governo Michel Temer, o PSDB anunciou nesta quarta-feira (22) que não fechará questão sobre o projeto que modifica as regras da Previdência.

A decisão foi divulgada após reunião da executiva do partido. Ficou decidido que será feita apenas uma "recomendação forte" pela aprovação do texto.

Alberto Goldman, presidente interino do PSDB, classificou como "recuo" a decisão do Palácio do Planalto de reduzir a apenas três itens o texto que vai modificar as regras da aposentadoria.

"Nós votamos o texto original e entendemos que o governo estar mandando um outro representa um recuo. Mas é a realidade política do Congresso", disse Goldman.

O governo vem encontrando dificuldades para aprovar a medida por se tratar de uma PEC (proposta de emenda à Constituição), que exige um quorum mínimo de 308 votos favoráveis e votação em dois turnos em cada uma das casas legislativas.

O texto original foi aprovado em comissão especial no primeiro semestre deste ano, mas está paralisado na Câmara diante da falta de apoio necessário entre os deputados.

Para tentar salvar o projeto, o Palácio do Planalto decidiu reduzir a proposta para poucos itens, que podem se resumir a apenas o aumento da idade mínima para aposentadoria.

A intenção do governo de concluir a votação do projeto em 2017 acabou frustrada. Gerou desgaste com a base de apoio no Congresso a votação de duas denúncias contra Temer na Câmara. O peemedebista é acusado pelo Ministério Público Federal de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.

Em duas votações, uma em agosto e outra em outubro, os deputados barraram o andamento das denúncias contra Temer.

REFORMA MINISTERIAL

A reunião da executiva do partido ocorre no mesmo dia em que o Palácio do Planalto decidiu substituir o tucano Antonio Imbassahy por Carlos Marun (PMDB-MS) na Secretaria de Governo, pasta responsável pela articulação entre o Executivo e o Congresso.

O tucano, que participou do encontro, deixou a sede do partido sem comentar o assunto.

A mudança na estrutura ministerial ocorre diante da tentativa do governo de agradar o "centrão" e conquistar mais apoio na base para aprovar a reforma da Previdência.

Licenciado da presidência do partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) esteve com Temer na manhã desta quarta para discutir as mudanças na Esplanada e o apoio à agenda de reformas.

Aécio foi escalado por Temer como articulador dentro do PSDB para conquistar votos a favor da reforma.

Indagado sobre o encontro de Temer com o tucano, Goldman disse desconhecer o assunto. "Ele é um senador e fala com quem quiser. Ele não fala em nome do partido, ele está licenciado."

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