Pioneiro no modelo de educação a distância, os Estados Unidos reúnem hoje cerca de 355 cursos de mestrado a distância, segundo dados do instituto Online Studies. Os cursos variam entre as áreas de saúde, economia, marketing, tecnologia e turismo, e são oferecidos desde universidades até instituições que passaram a se especializar nesse tipo de ensino pelo país.

O Brasil, apesar de ter crescido na modalidade nos últimos dez anos, ainda tem poucos cursos de pós-graduação a distância em formato de mestrado, ao contrário do sucesso que se tornou oferecer o mesmo formato de ensino em formato de especialização (MBA).

Segundo o último censo da Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED), em 2016, o país tinha 1.098 cursos lato sensu distribuídos entre milhares de alunos. Stricto sensu, no entanto, caso de mestrados, eram apenas 22.

Para o diretor de relações internacionais da Abed, Stavros Panagiotis, o problema dos mestrados a distância no Brasil envolve a falta de reconhecimento dos cursos pelo Ministério da Educação (MEC) e a qualidade duvidosa de algumas escolas. “Não houve um filtro das próprias instituições, que, ao invés de pensar em ampliar o acesso à educação no contexto da democratização do ensino no país, preferiram criar uma fábrica de diplomas”, opina.

A permissão para instituições oferecerem mestrado no país é de dezembro de 2005, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto escrito em consonância com o projeto de Fernando Haddad, à época na chefia do MEC. Até então, o Estado proibia que mestrados stricto sensu nesse formato fossem oferecidos.

A permissão, porém, fez crescer uma modalidade paralela desse tipo de curso: o mestrado profissional. Hoje, segundo a Abed, são 115 ofertas desse tipo oferecidas no Brasil, a maioria delas no Sudeste e voltadas para a área pedagógica. “Os cursos em história, sociologia, pedagogia e que servem também para a reciclagem dos professores são muito bons. Com as regulamentações do MEC e a abertura para novos modelos, eles estão crescendo e melhorando”, explica Stavros.

Essa expansão pode ser vista em números: segundo o anuário da entidade, em 2015, existiam sete cursos de mestrado stricto sensu no Brasil, ao passo que, no ano passado, já eram 22. Os mestrados profissionais reuniram 10 mil alunos em cursos a distância em 2016, a maioria deles em ciências humanas. Algumas grandes instituições, como a Cruzeiro do Sul, em São Paulo, possuem uma carteira de até 30 cursos de mestrado profissional, como Enfermagem do Trabalho, Ensino de Matemática e Gestão de Projetos Sociais com Famílias.

“Quando comecei a trabalhar nessa área, em 1994, lembro que resolvemos adotar o modelo mexicano para o contexto do Brasil. Naquela época, eles já tinham mestrados e doutorados totalmente a distância não apenas nas aulas, mas nas bancas. As avaliações dos trabalhos finais eram feitas em videoconferências”, relata Stavros.

“Por isso que acredito que, se a educação a distância faz sentido em tudo, o sentido inicial dela seria nos cursos de mestrado e de doutorado”, completa.

Os cursos de doutorado a distância no Brasil eram inexistentes até 2015, mas, no ano passado, tiveram os três primeiros registros do MEC. A Abed, por sigilo, não revela quem são as instituições que oferecem a modalidade, mas reconhece que ela é uma área ainda incipiente do modelo brasileiro.

Para Stavros, a falta de qualidade das instituições gera desconfiança nos possíveis alunos. “Vai demorar para existir um equilíbrio entre as instituições que oferecem os cursos e a qualidade deles. O mercado é muito pulverizado ainda. Por isso, doutorado agora é praticamente inviável”, finaliza.

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