Lama na foz do Rio Doce após o desastre ambiental (Foto: Secom Es)
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Um relatório da Fundação SOS Mata Atlântica divulgado nesta terça-feira (7) indica que a qualidade da água na Bacia do Rio Doce está ruim ou péssima em 90% dos pontos analisados.

Dois anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), a qualidade da água dos rios, que havia apresentado melhora entre 2015 e 2016, voltou a cair em nova medição realizada entre os dias 11 e 20 de outubro.

O colapso da estrutura operada pela mineradora Samarco (cujas controladoras são a Vale a a BHP Billiton) provocou a morte de 19 pessoas e espalhou lama por 650 km -de Minas ao mar do Espírito Santo.

Segundo o relatório, o calor e a seca dificultaram a decantação desse rejeito de minério. "Ao contrário, a estiagem e o baixo volume dos rios [...] favoreceram a concentração de poluentes e o consequente agravamento das condições ambientais e de qualidade das águas", afirma o texto.

Embora o rejeito não fosse tóxico ao sair da barragem, a lama revirou metais pesados dos leitos dos rios, contaminando as águas.

O relatório da ONG mostra que índices de turbidez da água, presença de oxigênio e de metais pesados estão fora dos padrões legais para o Rio Doce, que é um rio de classe 2, segundo classificação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

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Normalmente, nos rios de classe 2, é permitida pesca, irrigação de alimentos, natação e consumo da água após tratamento. Nos 18 pontos monitorados pela SOS Mata Atlântica, porém, a água está imprópria para consumo e outros usos.

A ONG afirma ainda que o desmatamento e a falta de saneamento nas cidades da região agravam a situação do Rio Doce, que deve se manter impróprio por anos.

"A evolução dos indicadores aferidos indica uma tendência de manutenção ou pouca variação dessa condição imprópria das águas por longo prazo. Fatores climáticos e a permanência dos rejeitos de minérios nas calhas e margens dos rios afetados podem apresentar sazonalidade e instabilidade nos indicadores de qualidade da água por muitas décadas", diz o relatório.

A Fundação Renova, entidade criada pelas mineradoras para reparar os danos do rompimento, optou por manter o rejeito nos rios afetados ao avaliar que movimentar a lama para sua retirada provocaria mais turbidez do que esperar pela sua decantação.

Segundo aponta o estudo, no entanto, o rejeito presente na água pode voltar a poluir o rio a qualquer momento.

"A transparência da água superficial [...] dá a falsa impressão de que os índices de turbidez, elevados nos anos anteriores pela pluma de rejeito de minério, baixaram aos níveis anteriores ao dano ambiental. Porém, com a menor movimentação da água por corrente natural ou ventos, a pluma alaranjada e brilhante do rejeito de minério volta a tingir os rios e não decanta."

Três dos 18 pontos de coleta apresentaram índices de turbidez adequados. A turbidez em 2017, embora tenha diminuído em relação a 2015 e 206, continua acima do padrão indicado.

METAIS PESADOS

O estudo alerta também para elevada concentração de cobre e manganês na Bacia do Rio Doce.

A ONG afirma que o consumo de cobre livre, em pequenas quantidades, pode provocar vômito e, em grandes quantidades, chega a lesionar os rins e provocar anemia. Já o manganês pode gerar rigidez muscular, tremores e fraqueza.

Desde o rompimento, ainda não há estudos conclusivos sobre os problemas de saúde que a lama causou na população e sua toxicidade.

A Fundação Renova monitora a Bacia do Rio Doce em 92 pontos desde agosto e prevê resultados do monitoramento da água do mar para o primeiro semestre do ano que vem. A fundação foi procurada para comentar sobre o relatório, mas ainda não se manifestou.

(FOLHA PRESS)

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