lucio funaro

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse nesta segunda-feira (6) que o doleiro Lúcio Funaro, com quem mantinha negócios, soube antecipadamente da Operação Catilinárias, da Polícia Federal, e retirou joias e obras de arte de sua casa para evitar a apreensão.

Cunha presta depoimento à Justiça Federal em Brasília em ação na qual ele próprio e Funaro, que é delator da Lava Jato, são réus por supostos desvios na Caixa Econômica Federal.

O ex-deputado afirmou que, em 2015, foi avisado por Funaro para que não enviasse nenhuma mensagem para ele, tendo em vista que estava sendo monitorado pela PF. "O Lúcio sabia da busca e apreensão no dia 15 de dezembro.

Tanto que ele retirou as obras de arte, as joias", declarou o ex-deputado.

O peemedebista explicou que, em vez de vasculhar a casa do corretor, os policiais foram ao endereço do pai dele.

Cunha descreveu sua relação com Funaro, que remontaria a 2003, quando os dois começaram a operar conjuntamente no mercado financeiro. Ele contou que os dois chegaram a lucrar até com o primeiro escândalo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de informação prévia sobre a denúncia.

Em 2004, Waldomiro Diniz, então assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi exonerado por suspeitas de que recebera propinas de bicheiros para bancar campanhas do PT.

O ex-deputado relatou ter recebido informações de que o caso sairia na imprensa e acionou Funaro para que negociasse ações. "Quando saiu aquela denúncia, eu soube na véspera que a denúncia ia sair. No outro dia a Bolsa despencou . A gente teve um lucro extraordinário", contou Cunha, sem dar detalhes de como os dados lhe chegaram.

O ex-deputado depõe desde as 9h30 e dedica sua fala principalmente a desconstruir as acusações de Funaro. O delator chegou a se irritar num momento do depoimento e tentou replicar Cunha, o que não é permitido. "Ele não tem limites com a covardia dele", criticou Cunha, ao citar o que chama de mentiras do colaborador. (Folhapress)

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