Em protesto contra destruição de equipamentos pelo Ibama dentro de terra indígena, dezenas de garimpeiros fecharam uma rodovia nesta terça-feira (24) em Ourilândia do Norte (930 km ao sul de Belém).

A manifestação na PA-279, que tem apoio da prefeitura, começou às 6h e ocorre após o operação do Grupo Especializado de Fiscalização (GEF) do Ibama na Terra Indígena Kayapó. Fotos aéreas mostram uma longa fila de automóveis diante da barreira.

Em três dias, os agentes destruíram 12 PCs (escavadeiras hidráulicas, avaliadas em cerca de R$ 500 mil cada uma), 12 balsas de mergulho, uma balsa escariante e um caminhão carregado de toras, além de de duas armas e outros equipamentos.

Segundo o Ibama, um dos garimpeiros flagrados dentro da terra indígena é o presidente da Cooperativa de Garimpeiros de Ourilândia do Norte, João Costa Guerra.

A legislação proíbe garimpo e extração de madeira em áreas protegidas e autoriza a destruição de bens apreendidos durante a fiscalização ambiental.

Os alvos foram identificados por meio de expedições dos caiapós realizadas ao longo do ano. As informações foram repassadas para a Funai, que solicitou providências ao Ibama, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. Oito das 30 aldeias estariam envolvidas com garimpo.

"A floresta vai ficar no mesmo lugar. Não quero mexer com garimpo, não quero mexer com madeira. Um dia vem o meu neto, depois os filhos dele. Temos de garantir o nosso futuro", disse o cacique Garapera, da aldeia Pukararankre, aos agentes do Ibama, em vídeo obtido pela reportagem.

Entre o problemas ambientais causados pelo garimpo ilegal estão o assoreamento de igarapés e rios e a contaminação das águas por mercúrio.

A TI Kayapó tem 3,3 milhões de hectares, cerca de 3,5 mil habitantes e abrange os de Cumaru do Norte, Bannach, Ourilândia do Norte e São Felix do Xingu.

Na segunda (23) o prefeito de Ourilândia do Norte, Romildo Veloso e Silva (PSD), viajou a Brasília para reclamar da operação "desmedida" do Ibama. Com o apoio da bancada paraense, pediu uma audiência com o ministro Zequinha Sarney (PV-MA).

Por telefone, ele defendeu que o Ibama faça um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com os garimpeiros em vez de destruir o maquinário. "A economia está em frangalhos, e o Brasil está em crise sem precedentes."

Dr. Veloso, como é conhecido, disse que o garimpo é um crime "pela leitura fria da lei. Mas ele está trabalhando, produzindo riqueza, comercializando seus produtos." (Folhapress)

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