O presidente Michel Temer afirmou que "nada atrapalha" seu governo no processo de votação da denúncia apresentada contra ele e seus ministros, por organização criminosa e obstrução da Justiça.

A declaração foi uma resposta a um questionamento sobre o impacto da divulgação dos vídeos dos depoimentos do corretor Lúcio Funaro, cuja delação premiada implica o presidente e vários de seus aliados no PMDB.

Temer fez a afirmação na saída de um almoço na casa do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), em Brasília, nesta terça-feira (17). O compromisso não estava previsto em sua agenda oficial.

Durante o encontro, o presidente disse estar tranquilo com a votação da denúncia na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e elogiou o relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que recomendou a rejeição das acusações.

O Palácio do Planalto projeta vitória na comissão, com um placar de 39 a 41 votos a favor do presidente e dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). Na primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva, o governo conseguiu aprovar na CCJ um parecer favorável à rejeição das acusações, por 40 votos a 25.

Participaram do almoço, em que foi servida uma galinhada, o ministro Moreira Franco, os deputados Benito Gama (PTB-BA), Alexandre Baldy (Podemos-GO) e Danilo Forte (PSB-CE) e o senador Elmano Ferrer (PMDB-PI).

O anfitrião do encontro negou que a denúncia e a crise política tenham sido discutidas na conversa. "Aqui é proibido falar de crise, falar de coisa ruim. É minha regra", declarou Heráclito Fortes.

O deputado, porém, admitiu que o presidente estava tranquilo em relação à votação denúncia. "Prova disso é que ele veio e não ficou com pressa de ir embora."

OFENSIVA

Para conquistar votos de parlamentares e barrar a denúncia, Temer encaminhou nesta segunda (16) aos gabinetes dos deputados aliados uma carta em que se diz "indignado" com o que chama de "conspiração" para tirá-lo do cargo.

"Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis", afirma na carta.

No texto, Temer admite que está fazendo um "desabafo", com críticas ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e aos delatores Joesley Batista, dono da JBS, e Lúcio Funaro, operador do PMDB. O presidente desqualifica as delações premiadas de ambos, homologadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e diz que as colaborações têm o intuito apenas de atingi-lo.

Segundo o presidente, Janot participou de forma ativa de uma "trama", com a ajuda do procurador Marcello Miller, para fechar a delação da JBS com o objetivo de tirar o peemedebista do comando do Palácio do Planalto.

Aos parlamentares que votarão seu destino político nos próximos dias, o presidente diz que está defendendo sua honra e que Janot queria impedir que ele nomeasse um novo titular para a Procuradoria-Geral da República e "ser ou indicar" o novo candidato à Presidência, na disputa que se dará no ano que vem.

O texto começou a ser entregue apenas dois dias depois de a Folha divulgar vídeos de depoimentos de Funaro, apontado como o principal operador do PMDB da Câmara, e que implicam Temer em diversos crimes.

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