Fernando Pimentel. (Foto: EBC)
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Em um discurso repleto de indiretas, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), aproveitou a cerimônia anual de homenagem a Juscelino Kubitschek, realizada nesta terça-feira (12) em Diamantina (MG), para defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atacar aqueles que investigam escândalos de corrupção.

Denunciado na Operação Acrônimo e mencionado por delatores da Lava Jato, Pimentel também fez uma autodefesa implícita. Pediu a aplicação de justiça sem partidarismos e criticou "a execração antecipada" daqueles que são acusados de delitos.

Pimentel traçou um paralelo entre a situação de JK e a de Lula, mencionando que o ex-presidente mineiro também foi acusado de ter recebido um apartamento de um empreiteiro, mas que o episódio se provou falso e caiu no esquecimento —assim como aqueles que o acusavam.

"Alguém aqui se lembra do Edifício Ciamar? Ninguém, né? Esse prédio, na avenida Vieira Souto, em Ipanema, no Rio, seria o endereço de um caríssimo apartamento que Juscelino teria ganho de um empreiteiro milionário e amigo. Mas o apartamento nunca foi de JK", disse.

Lula foi condenado, em julho passado, a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex em Guarujá (SP) -apartamento que, segundo a acusação, representa propina de R$ 3,7 milhões paga pela OAS ao ex-presidente. A defesa recorre da condenação.

"Tudo mentira, tudo calúnia, tudo parte de um combate tenaz e cruel contra a liderança de Juscelino, contra sua posição claramente nacionalista e a favor dos mais pobres."

Sem mencionar o nome de Lula, o governador, contudo, deixou clara a referência ao petista. "A semelhança desse episódio com outros mais contemporâneos não é mera coincidência", afirmou, lembrando que campanhas negativas foram feitas contra "Vargas, JK, [João] Goulart e depois... Bem, nós todos somos testemunhas e personagens do momento atual".

Também em comparação ao ex-presidente, Pimentel disse que JK enfrentou inúmeros inquéritos e processos "movidos pelos algozes de plantão" ao deixar a Presidência e que ainda hoje a imprensa se "presta ao papel de difamar homens públicos".

O governador de Minas não deixou de alfinetar a fama que a Lava Jato trouxe a juízes e investigadores, porém sem mencionar nomes.

"Os aplausos aos inquisidores mesmo que ruidosos, se provocados pela infâmia e pela calúnia, são efêmeros e não ecoam na história. Quem se lembra hoje dos nomes, um nome que seja, de algum dos personagens que promoveram os inquéritos, os interrogatórios, a perseguição maldosa contra JK?", questionou.

"A fama e a glória desses pequenos seres humanos desapareceu tão breve como sua própria existência. JK não."

Neutralidade

Pimentel voltou a defender "que a Justiça faça seu trabalho sem partidarismo, com a neutralidade que se espera dos julgadores e não dos justiceiros, assegurando o direito de defesa".

O governador afirmou que a punição aos culpados deve ser "proporcional" e que deve haver proteção contra a "execração antecipada daqueles que hoje, simplesmente por serem acusado, já se tornam condenados de antemão".
"O tempo repõe a verdade, mas não cura a dor de quem sofre a injustiça", afirmou.

O mesmo tom fora adotado em discurso na cerimônia da Inconfidência, em 21 de abril, quando Pimentel criticou "a ansiedade de condenar e execrar".

Assim como na cerimônia da Inconfidência, no evento em homenagem a JK também são distribuídas medalhas de honrarias a personalidades a cada ano. Nesta terça, receberam a medalha JK governadores de 11 Estados, secretários, deputados, a primeira-dama Carolina Pimentel e outras autoridades.

A cerimônia em homenagem a JK ocorre no dia de seu nascimento, em 12 de setembro, em Diamantina, sua cidade natal. (Folhapress)

 

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