Geddel chega a Brasília. (Foto: Valter Campanato)
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O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) está de volta à cadeia três dias depois da descoberta pela Polícia Federal de um "bunker" em Salvador atribuído ao político no qual foram encontrados R$ 51 milhões em malas e caixas.

Geddel foi detido em seu apartamento em Salvador nesta sexta (8) e transferido para Brasília, onde deve permanecer no Presídio da Papuda. Digitais dele foram identificadas em notas apreendidas.

A prisão de Geddel preocupa o Palácio do Planalto em razão de sua forte ligação política com Temer. Ele deixou a Secretaria de Governo em novembro do ano passado, no escândalo revelado pela Folha de S.Paulo em que foi acusado de pressionar o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, a desembargar um prédio em Salvador onde era proprietário de um imóvel.

Ao deixar o cargo, chamou Temer de "amigo fraterno". É do chamado "PMDB da Câmara", grupo de deputados que sempre comandaram a bancada do partido na Casa.

Geddel cumpria prisão domiciliar desde 12 de julho. Havia sido preso nove dias antes, acusado de tentar obstruir a Justiça, mas depois conseguiu habeas corpus.

A PF chegou ao prédio por volta de 5h40. Um vendedor ambulante foi escolhido como testemunha. O peemedebista deixou sua residência cobrindo o rosto com uma pasta. Pessoas que passavam pelo local aplaudiram e buzinaram quando o carro da PF deixou a garagem com ele no banco de trás. Houve buscas na casa da mãe de Geddel, que mora no mesmo prédio.

Ao decretar a nova prisão, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, do Distrito Federal, afirmou que houve "reiteração delitiva" do ex-ministro durante a prisão domiciliar.

Para ele, Geddel "reitera na atividade delituosa de lavagem de capitais e outros delitos de forma sorrateira".

A PF, que pediu a nova prisão preventiva, afirma em relatório que há "fortes indícios" de que os R$ 51 milhões pertencem ao ex-ministro, aliado político do presidente Michel Temer.

A polícia suspeita que o dinheiro tenha ligação com desvios no período em que Geddel era vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal (2011-2013).

O relatório policial destaca que Lúcio Funaro, réu na Operação Sépsis e apontado como operador do PMDB, afirmou em depoimento que Geddel recebeu R$ 20 milhões desviados de empréstimos.

Para a PF, "o dinheiro apreendido tem, certamente, origem ilícita".

A PF achou no "bunker" uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, "pessoa detentora de vínculos empregatícios com Lúcio Vieira Lima", irmão de Geddel e deputado federal pelo PMDB.

Além do ex-ministro, foi preso também Gustavo Ferraz, que, segundo os investigadores, é ligado ao peemedebista. O relatório da PF confirma que "alguns fragmentos de impressões digitais" de Geddel e de Ferraz estavam no dinheiro apreendido.

O Ministério Público Federal afirma, em pedido de prisão que também fez ao juiz, que Geddel é um "criminoso em série, que faz de uma dada espécie de crime (financeiros e contra a administração pública) sua própria carreira profissional".

Outro lado

Em nota, o advogado de Geddel, Gamil Föppel, disse apenas que irá se manifestar a respeito quando tiver acesso aos autos. "Pesa dizer que o direito de defesa e, especialmente, as prerrogativas da advocacia, conferidas por lei, sejam tão reiteradamente desrespeitadas, impedindo-se o acesso a elementos de prova, já documentados nos autos", declarou. (Folhapress)

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