Joesley Batista. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
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O empresário Joesley Batista, sócio da JBS e delator, chegou na manhã desta quinta-feira (7) a Brasília para depor à PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o polêmico áudio que entregou na semana passada aos procuradores.

Além dele, devem ser ouvidos o diretor e lobista do grupo, Ricardo Saud, e o advogado da empresa Francisco de Assis e Silva, que também são delatores.

Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o material, que traz uma conversa de mais de quarto horas gravadas entre Joesley e Saud, indica graves omissões nas delações.

Janot disse ainda que os benefícios dados aos delatores, que ganharam imunidade com o acordo, podem ser suspensos e o acordo cancelado.

Além de omissões, o áudio entregue à PGR indica que o ex-procurador Marcello Miller, que trabalhou com Janot por três anos, sendo um na equipe da Lava Jato, pode ter atuado no acordo de delação da empresa antes de deixar a Procuradoria.

Miller deixou a PGR em abril e passou a atuar no escritório de advocacia Trench Rossei Watanabe, que foi um dos responsáveis por atender a JBS na negociação da delação. Tanto ele quanto os empresários, porém, negam que Miller tenha atuado nas tratativas do acordo de delação.

Miller tem depoimento na Procuradoria marcado para sexta (8).

Imunidade

Reportagem publicada na quarta (6) pela Folha de S.Paulo revelou que Janot pretende revogar a imunidade anteriormente negociada com Joesley e os outros dois executivos até o final da próxima semana, quando termina seu mandato na PGR.

A PGR entende que houve patente descumprimento de dois pontos de uma cláusula do acordo de delação premiada de executivos da JBS que tratam de omissão de má-fé, o que justifica rever os benefícios dados aos delatores.

O principal benefício foi o de não denunciar os delatores criminalmente à Justiça -imunidade que rendeu inúmeras críticas ao acordo feito por Janot em abril e homologado (validado) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em maio.

A revisão, bastante plausível, segundo expressão de um interlocutor do procurador-geral, abrirá caminho para que os executivos sejam denunciados e processados, o que, em tese, poderá levá-los até à prisão.

Antes de qualquer medida, os delatores e demais envolvidos precisam ser ouvidos para esclarecer as suspeitas da PGR.

As novas condições do acordo, depois de estabelecidas, precisarão de novo aval do Supremo. (Folhapress)

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