senadora gleisi hoffmann

Um dia depois de ter sido alvo de uma denúncia por organização criminosa, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disparou críticas contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Em discurso no plenário do Senado realizado nesta quarta-feira (6), a petista disse que Janot será "ridicularizado" pelas acusações.

"Qual é a organização criminosa? Qual é o crime que nós fizemos, doutor Janot? Porque a denúncia que foi apresentada é uma coisa absurda: não tem um fundamento, só tem delação. É justamente quando as delações são questionadas que vossa senhoria apresenta uma denúncia por organização criminosa em cima de delações?" questionou.

Gleisi foi alvo de uma denúncia apresentada na terça (5) pelo Ministério Público ao STF (Supremo Tribunal Federal). A Procuradoria vê a prática do crime de organização criminosa por ela em conjunto com os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, além dos ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega; de seu marido, o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo; e os ex-tesoureiros do partido João Vaccari e Edinho Silva, atual prefeito de Araraquara (SP).

A senadora disse ainda que Janot decidiu apresentar a denúncia para "dar respaldo ao seu procurador lá do Paraná que está sendo ridicularizado", em referência ao coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol.

Gleisi pediu que Janot dê explicações sobre o acordo de colaboração do grupo JBS. "Tem que explicar isso aqui. Por que alguém da confiança dele ganha R$ 40 milhões de um escritório que serve à JBS? E não é só isso: várias das denúncias, várias das delações premiadas, inclusive a do ex-senador Delcídio do Amaral, que está sendo questionada porque ele mentiu, foram capitaneadas por esse procurador Marcello Miller. Elas vão valer? Será que ele ganhou dinheiro também para fazer isso? É um escândalo!", declarou.

Na última segunda-feira (4), Janot anunciou a abertura de uma investigação para apurar possíveis irregularidades nas negociações da colaboração firmada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista com o Ministério Público.

Em gravações entregues por eles aos investigadores, os irmãos mostram proximidade com Marcello Miller, que atuou até o ano passado como auxiliar de Janot. O procurador deixou o grupo de trabalho da Lava Jato para advogar para o grupo J&F, dono da JBS.

A suspeita é que Miller tenha ajudado os executivos a elaborar a proposta de delação, como indica um áudio entregue à PGR na última quinta (31).

As investigações podem resultar em cancelamento do acordo firmado pelos empresários. (Folhapress)

Leia mais:

 

 

 

 

 

 

 

Contato com a redação:
(62) 99625-9856

BUSCA