tasso jereissati

Em agenda nesta sexta (18) com o prefeito de São Paulo, João Doria, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse não se arrepender do conteúdo da propaganda do partido, exibida na quinta (17) na TV, e que a polêmica sobre a peça é "necessária".

"Eu não me arrependo de nada. Tenho responsabilidade total pelo programa", afirmou Tasso, senador pelo Ceará, em Fortaleza.

O tucano disse ainda que a população quer atualmente "ver posições diferentes": "Eu sou presidente interino. Enquanto eu for presidente interino eu dou orientação".

Sob o comando de Tasso, a legenda produziu um vídeo de 10 minutos em que se refere ao atual modelo de governo como "presidencialismo de cooptação".

Em tom bastante crítico, a peça diz que o PSDB errou ao deixar de lado suas origens e ter "cedido" ao fisiologismo, que é configurado por apoio ao governo em troca de cargos.

Desde que se tornou presidente, Tasso vem defendendo que o PSDB entregue os ministérios que ocupa.

Reações

O vídeo reacendeu a movimentação de uma ala da legenda para que o senador Tasso Jereissati (CE) deixe o comando partido.

Esse grupo pede que o senador Aécio Neves (MG), afastado da presidência desde maio, reassuma o comando da sigla.

Três dos quatro ministros tucanos divulgaram nota na noite de quinta criticando o programa.

Ministro tucano mais próximo do presidente Michel Temer, Antonio Imbassahy (PSDB-BA), da Secretaria de Governo, disse que o programa deixa a sigla em uma posição "extremamente ruim e desconfortável".

Para ele, a sigla adotou "atitudes autoritárias e desagregadoras" ao escolher a narrativa do vídeo.

Já o chanceler Aloysio Nunes disse que o programa é uma "crítica vulgar" e que deve ter levado o PT às gargalhadas.

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, seguiu a mesma linha, ao afirmar que a peça é "injusta" com a "história do partido", que teria optado por um caminho de "recuperação do país".

As mensagens foram divulgadas depois de uma conversa entre os ministros tucanos com Aécio. Um encontro entre Aloysio e Imbassahy está previsto na agenda de Temer no início da tarde desta sexta-feira (18).

Embora evite demonstrar publicamente que apoia a reação dos ministros, o Palácio vem discutindo a reação do vídeo com eles.

A ala que defende a volta do Aécio entende que ele deveria reassumir rapidamente o comando do PSDB para escolher um novo interino.

O fato de o tucano ser alvo de uma denúncia entregue ao STF, por corrupção e obstrução de Justiça no caso JBS, é visto como um impeditivo para que ele permaneça como presidente.

O senador mineiro se licenciou do cargo em maio, logo após ter sido divulgado um áudio em que ele pede ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, R$ 2 milhões.

Próximo a Aécio, o deputado Paulo Abi-Ackel (MG), disse que um outro vídeo, divulgado na semana passada, era a "crônica do desastre anunciado". O parlamentar se refere a uma peça de 30 segundos em que o PSDB já admitia que cometeu erros.

Já o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), achou o programa "muito transparente". "Agitou o ambiente interno, mas em termos de opinião pública, sinto que as pessoas não rejeitaram o programa", disse.

Sobre uma eventual saída de Tasso da presidência do PSDB, ele afirma que prefere esperar. "Não me incluo entre os que já anunciam ou tomam decisão imediata. Prefiro aguardar um pouco para ver os efeitos do programa junto à sociedade. Foi, sem dúvida, nenhuma muito diferente de tudo que a gente está acostumado a ver", disse.

Doria

Ao contrário do que ocorreu em visitas recentes de Doria ao Nordeste, não houve protestos contra o prefeito de São Paulo -no dia 7 de agosto ele recebeu uma ovada em Salvador, e na última quarta (16), em Natal, cartazes criticavam sua presença na cidade.

"Ele é prefeito da maior cidade do Brasil, natural que se queira ouvir o que o prefeito de São Paulo quer falar", disse Tasso.

O presidente interino do PSDB, inclusive, incluiu Doria entre os nomes que podem ser o candidato do PSDB para eleição presidencial de 2018.

"O João Doria tem todas as condições para ser candidato, como o [Geraldo] Alckmin, o [José] Serra. Vamos fazer a convenção no fim do ano e as discussões vão acontecer, disse. (Folhapress)

Veja vídeo:

 

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