vassil 2017

Colunista

Vassil Oliveira

 

marconi eliton maguito mendanhaAdversários de longa data em Goiás, o PSDB e o PMDB tiveram encontro amistoso na noite desta quarta-feira, e em local inusitado: um palanque.

Além de troca de elogios e gentilezas, o que marcou a noite foi outro fato impensável em outros tempos: a possibilidade admitida de, quem sabe, andarem de mãos juntas. Bem no estilo #ficaadica.

“Nós não vamos mudar a relação com Aparecida de Goiânia, independentemente de partido. Até porque a vida – e na política não é diferente –, a gente às vezes pode hoje estar em um campo diferente, falando da política, e amanhã pode estar no mesmo campo.”

Palavras do governador Marconi Perillo, ao lado do vice José Eliton, ouvidas atentamente pelo ex-governador e ex-prefeito de Aparecida, Maguito Vilela, e pelo atual prefeito da cidade, Gustavo Mendanha.

Não estava lá Daniel Vilela, presidente do partido e pré-candidato a governador peemedebista. Mas pode-se dizer que estava bem representado, já que soube-se por nota do jornal O Popular de hoje que seu pai, Maguito, é coordenador de sua pré-campanha. E Gustavo é seu trunfo mais visível como aliado.

A nota, por sinal, foi o ponto de união dos dois grupos, ou dois partidos, na festa que marcou a passagem do programa Goiás na Frente no município, com anúncio de obras e outros benefícios do Estado.

Ela saiu no jornal O Popular, na coluna Giro. Recado curto e grosso ao outro pré-candidato da oposição, senador Ronaldo Caiado (DEM): “Xingamentos não ganham eleição”, atirou Maguito, posição reiterada ao longo do dia em material oficial do comando do PMDB.

Fácil entender o objetivo do peemedebista. Caiado tem avançado sobre prefeitos e bases do partido, apresentando-se como nome de unidade oposicionista ampla, o que contraria em cheio Maguito e Daniel.

Como Caiado tem feito crítica duras ao governo do Estado, em especial ao governador, os discursos em Aparecida juntaram então a fome de troco com a vontade estratégica.

Marconi e Eliton aproveitaram bem a oportunidade do palanque armado. Primeiro, o vice, que citou a nota como gancho a definição conceitual do programa Goiás na Frente, que leva recursos para as prefeituras e é tido como base para o fortalecimento de seu nome como candidato a governador. Falou:

“Política precisa ser instrumento de construção. Precisa ser instrumento para o aperfeiçoamento dos processos de desenvolvimento. Não cabe mais, no tempo moderno, no tempo de hoje, aquela política raivosa, da agressão, do ódio. É tão triste quando nós observamos que ainda existe, em alguns rincões, práticas políticas as mais antigas e ultrapassadas do mundo. Observar políticos chamando outro para brigar lá fora, querendo sempre atacar, xingar, relembra ou jardim de infância, ou tempo do coronelismo. Portanto, ex-governador (Maguito Vilela), quero destacar que comungamos do pensamento de uma política moderna de construção, onde as posições ideológicas devem ter lugar, mas onde o respeito, o objetivo da construção, seja efetivamente o desiderato final da prática política.”

Por fim, Marconi, que coroou tudo com a abertura para um entendimento mais amplo. Transcrevo as suas palavras, com o cuidado de observar que a retórica é a do palanque. Elas se seguiram às primeiras frases, lá de cima:

- “Eu hoje apoio o governo do presidente (Michel) Temer por achar que ele é bom, (que) é importante (ele) ser parceiro do Gustavo e é importante ser o meu parceiro. E, principalmente, pela retomada do desenvolvimento econômico e dos empregos. Aqui em Aparecida, sou parceiro do do PMDB, sou parceiro do prefeito Gustavo. Quem é que pode dizer, ou adivinhar, que lá na frente não possamos estar em uma mesma trincheira, considerando o interesse maior do Estado de Goiás, do governo de Goiás?”

- “O vice-governador Zé Eliton comentou aqui algo interessante. O ex-prefeito e ex-governador Maguito Vilela, numa nota do jornal O Popular de hoje, fez críticas à política que é feita com ódio, com rancor, à política que não constrói. Eu, o Zé Eliton e todo o nosso time concordamos com isso, Maguito. E eu acho que nós temos que ter essa agenda. É a agenda da construção, e não da destruição. É a agenda do amor, da paz, e não do ódio ou da vingança. É a agenda da parceria que leva resultados concretos para o povo. Nós estamos aqui pelo povo, pela sociedade aparecidense. E essa agenda, quem sabe um dia, vai nos colocar no mesmo polo, porque essa é a agenda da modernidade, é a agenda do desenvolvimento, é a agenda da paz. E (quando Maguito, ainda prefeito, propôs a criação de uma avenida), nós dois chegamos à conclusão de que ela deveria se chamar Alameda da Paz, para inaugurar uma nova fase de relacionamento administrativo entre ele, o PMDB, eu, Zé Eliton, o PSDB.”

- “É essa agenda moderna, Gustavo (Mendanha)... É essa agenda que nos faz estar aqui, num diálogo de alto nível, num discurso respeitoso, republicano, maduro, responsável. É muito fácil xingar as pessoas, criticar, fazer discurso da boca pra fora. O difícil é unir forças. O difícil é realizar, e não apenas discursar. Uma coisa é falar, uma coisa é conversar abobrinha, outra coisa é juntar as pessoas pelo bem da cidade, pelo bem do povo, e é o que nós queremos para Aparecida e para o Estado de Goiás.”

Em dois momentos:

1 – “(...) a gente às vezes pode hoje estar em um campo diferente, falando da política, e amanhã pode estar no mesmo campo.”

2 – “E essa agenda, quem sabe um dia, vai nos colocar no mesmo polo...”

Além da união de interesses contra um inimigo comum, é preciso dizer que as frases carregam um sentido maior. Na eleição passada, Marconi ofereceu apoio ao prefeito Iris Rezende (PMDB), então candidato em Goiânia. Não deu certo. Mas resulta agora em uma relação tranquila, republicana, entre governador e prefeito. Possibilidade de aliança política? Difícil, mas nunca negada de lado a lado.

Mais possibilidade há quando o personagem é Maguito, com quem Marconi tem frequentes encontros e conversas, embora Daniel seja crítico direto da administração estadual. Há até quem defenda a tese de que Maguito poderia se juntar a Eliton em uma chapa, ou ser o nome de consenso, ou levar o PMDB a apoiar o atual vice. As teorias são muitas, todas no sentido de unidade de projeto.

Nesse caso, as estocadas de Maguito, mais o encontro em palanque dessa noite em Aparecida, com as batidas dos tucanos no mesmo alvo, dão combustível a inúmeras especulações. Tudo reforçado naturalmente pelo fato de que Caiado se faz hoje inimigo comum em outro sentido: ele é defensor da saída imediata de Michel Temer da Presidência da República.

Caiado poderá até dizer que é jogo combinado – um levanta a bola e os outros chutam para o gol –, para reforçar-se como única oposição verdadeira. Mas fica explícita também a mensagem que ele está cada vez mais à parte. Porque o jogo pode ser não exatamente de união de PSDB + PMDB, e sim de PSDB e PMDB para deixá-lo só, sem grupo político. E aí?

Para meditação, fica a foto que ilustra este texto, feita pelo Wildes Barbosa. É irmã daquela outra, com Marconi e Caiado à frente, e que pode ser conferida no link abaixo, que toca em outro ponto referente à oposição.

Leia mais:

- De Maguito para Caiado: “É praticamente impossível o PMDB não disputar o governo em 2018”

***

Abaixo, a íntegra da nota da coluna Giro desta terça, 9.

Maguito: “Xingamentos não ganham eleição”

Coordenador da pré-candidatura ao governo do deputado federal Daniel Vilela, o ex-prefeito Maguito Vilela diz que liderar pesquisas não é garantia de vitória, em clara referência ao senador Ronaldo Caiado (DEM). “Eu liderava todas as pesquisas em 2006, mas perdi para o candidato do governo. Precisa é ter potencial de crescimento, baixa rejeição e perfil certo para o governo. Não se ganha eleição com campanha raivosa, com xingamentos”, diz. Na semana passada, Caiado defendeu união entre DEM e PMDB e que a escolha do candidato ao governo recaia sobre quem estiver em melhor condição. “Caiado disputa eleições desde 1994. Claro que seu nome é hoje mais conhecido. O PMDB, desde sua fundação, nunca deixou de ter candidato ao governo em Goiás. É o maior partido, tem prefeituras importantes e bons nomes para a disputa. É praticamente impossível não disputar o governo em 2008”, frisa Maguito. Sobre alianças, o ex-prefeito afirma que não se pode descartar nenhum partido, nem mesmo o PT. “Definições mesmo só teremos no próximo ano”, enfatiza.

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