vassil 2017

Colunista

Vassil Oliveira

 

ronaldo caiado e marconi perilloO confronto na prática não vai acontecer, uma vez que em 2018 o governador Marconi Perillo (PSDB) deverá ser candidato a senador, e o senador Ronaldo Caiado (DEM), a governador. Mas dá o que pensar. Imagine uma disputa direta entre os dois...

E aí é que está: no campo imaginário, essa guerra já acontece, e produz efeitos reais para o ano que vem. Marconi x Caiado está bem vivo na cabeça das pessoas, e as reações de amanhã serão reflexo das ações de hoje. Ou vice-versa.

No imaginário popular, ou nem tanto, no imaginário de quem acompanha o dia a dia da política goiana, essa guerra é a batalha final de um campeonato inusitado: dois ex-aliados que se tornaram inimigos figadais.

Um lance emblemático é a recente foto que mostra o tucano e o democrata frente a frente. Dá o que pensar. Por isso, alimenta o inconsciente coletivo. E se... Vai que... Quem não se anima com o que pode – poderia? – acontecer?

Caiado, em 1998, foi um dos fiadores da candidatura do então deputado federal Marconi Perillo ao governo. Era mais conhecido. Vinha de uma acirrada disputa para governador, em 1994, contra Maguito Vilela (PMDB), o vencedor, e a senadora Lúcia Vânia (PSB). Lúcia Vânia...

Ela não está visível na foto, mas, invisível, está presente porque também é parte do imaginário que toda a situação provoca. Embora ainda aliados, também o confronto entre ela e Marconi é alimento para as massas. Eles vivem às turras, e às turras sempre prometem um embate que não se materializa.

E agora tem um adicional de articulação: a aproximação entre ela e Caiado, numa composição que, se não enfrentará Marconi diretamente, poderá bater armas contra o candidato dele, José Eliton (PSDB), nome por sinal indicado por Caiado para vice de Marconi e com quem hoje está rompido.

E veja isso: Eliton também está na foto, atrás de Marconi. Atrás, quase oculto. Precisa desenhar? Eliton chegará ao governo antes de Caiado, com a anunciada renúncia do atual titular para ser candidato no ano que vem. E irá à luta contra ele. Por si só, uma refrega memorável.

Some a tudo isso a presença risonha de um personagem que está além da mente, porque está na boca do povo há mais de seis décadas, e teremos uma imagem irretocável da primeira divisão da política goiana. Iris Rezende (PMDB) está lá, como sempre. Entre Caiado e Marconi.

Prefeito de Goiânia, Iris está em todo lugar das disputas eleitorais no Estado. É discurso contra e a favor. E está neste momento na possibilidade de se aproximar com Marconi, algo difícil, mas principalmente no sonho de Caiado de tê-lo, com todo o PMDB, em sua campanha.

Iris ficará neutro? Iris apoiará Caiado? Iris apoiará Caiado com Lúcia Vânia na chapa? Iris ficará do lado de Daniel Vilela ou Maguito Vilela, os ausentes da foto (só da foto?) porém pré-candidatos – um declarado, o outro, não – de seu partido? Iris lançará um nome alternativo, um nome novo? Ou Iris só está na foto? A cada pergunta, um cenário. Tudo é possível. Ou não.

Nas rodas de bate-papo eleitoral, essas resenhas são campeãs de audiência. Essa vocação para a criação (ou combustão) espontânea de lances extraordinários de confrontos não menos, explica, provavelmente, a sintonia entre quem gosta de futebol e de política. E mostra como gostamos de guerra, mas principalmente das guerras que criamos na imaginação.

Repara como são as coisas. A foto mostra Caiado afinando para Marconi, ou resistindo firme à agressividade do governador? A questão é menor para o futuro de Goiás, mas é decisiva para que alguém seja vencedor de alguma forma. Por isso vemos os soldados em campo, cada um atirando para matar a versão alheia.

Guerra é guerra. E nem sempre vence o melhor.

E todo crédito ao autor da foto: J. Eurípedes. Merece.

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