vassil 2017

Colunista

Vassil Oliveira

 

marconi perillo jose eliton ronaldo caiado daniel vilelaO senador Ronaldo Caiado (DEM) procura de todo jeito provocar uma reação direta do governador Marconi Perillo (PSDB) contra ele. Críticas ácidas ao governo, ação na justiça, discursos pregando renovação política.

Tudo serve de munição. Mas quem reage é o vice, José Eliton. Eliton topa e busca o enfrentamento, o que Caiado, pelo menos por enquanto, evita, como Marconi o evita.

A estratégia de Caiado é batida: polarizando com o governador, ele almeja protagonismo como pré-candidato a governador. Qualquer resposta do tucano funcionará como palanque armado para dar seu recado e firmar-se como contraponto.

Também o deputado federal Daniel Vilela (PMDB) tenta puxar o governador para o embate, pelas mesmas razões. As declarações contra o tucano são duras, forjadas na perspectiva de quem quer briga.

E Marconi, o que faz?

Em relação a Daniel, ele dialoga com prefeitos do PMDB, enfatiza relação republicana na repartição de verbas para os municípios da oposição, posa em fotos com nomes ligados diretamente ao deputado, como o prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha.

Mostra o tamanho de sua força política – e, ato contínuo, reforça as fragilidades do peemedebista, que precisa lidar com um PMDB desunido e uma oposição batendo cabeça.

Quanto a Caiado, a estratégia do governador é outra. Se ele, particularmente, ignora o senador, o seu vice faz movimento contrário: chama o democrata para a guerra.

Na semana passada, por duas vezes o vice foi no fígado de Caiado. “O senador Ronaldo Caiado encenou mais uma peça de seu teatro eleitoreiro nesta segunda-feira (03/07)”, disse ele em nota divulgada na segunda.

A nota saiu no mesmo dia em que o senador anunciou que estava entrando com ação popular na Justiça de Goiás para pedir o ressarcimento do valor concedido pelo Estado ao grupo JBS, de Joesley Batista e Júnior Friboi, no programa Regulariza, que instituiu em 2014 descontos de até 100% de multas e atualizações de débitos de ICMS.

Eliton definiu a medida como “nova ação de um repertório oportunista, obviamente visando as eleições de 2018”. E atirou: “O que está configurada é a irresponsabilidade do senador Ronaldo Caiado com mais essa jogada eleitoreira, na sua insana busca por holofotes.”

Na sexta, nova estocada. Em visita ao Vale do Araguaia, ele fez questão de enfatizar os elogios recebidos por prefeitos em região considerada como reduto de Caiado.

Para Eliton, o combate com Caiado é tiro certo. Agindo de forma firme contra aquele é considerado candidato favorito da oposição, e que por sua vez é um antigo companheiro seu de PFL, ele mostra personalidade.

O confronto com Caiado serve a Eliton para firmar-se como nome de uma base forte, mostrar coragem e determinação, alimentar a discórdia na oposição (entre Daniel e o senador) e tirar o governador do foco eleitoral.

Resultado igual ele não teria se alimentasse a briga com Daniel. E é por isso que evita esse caminho. Pior para Daniel, já que Caiado, ainda que evitado por Marconi, é ‘promovido’ a adversário direto pela base marconista.

As cartas estão na mesa. O jogo está sendo jogado. Abertamente.

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