vassil 2017

Colunista

Vassil Oliveira

 

demostenes torres dgDemóstenes Torres é sempre um bom papo. Na entrevista ao DG nesta quarta, 26, ele estava tranquilo e muito disposto ao diálogo. Chegou atrasado, culpou o elevador – e todos sabem que os elevadores do Ed. São Judas Tadeu, sede do site, têm vida própria e são deveras sistemáticos –, e cumprimentou um por um na redação, pegando na mão e olhando atentamente. Bom humor de sobra.

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Conversar sobre sua situação é claramente a estratégia de resistência do ex-senador desde que o STF anulou provas do processo aberto contra ele no rastro da Operação Monte Carlo. Falar sobre o assunto, a cassação de seu mandato, esgotar os questionamentos, deixar que as manifestações venham à tona com toda força. Mexer o máximo possível nesse vespeiro, como um rito de passagem necessário, catártico.

Tudo para virar logo a página e partir para o próximo ato: disputar um mandato o mais rápido possível. Pragmatismo de quem só vê salvação no futuro. Um futuro que precisa ser construído com persistência e paciência verbal. Traduzido em menos holofote e mais debate sobre temas importantes. Menos espuma e mais conteúdo. O que já mostrara na entrevista à jornalista Fabiana Pulcineli, de O Popular, dias atrás.

O ex-senador não tem medo das reações que provoca. Entende o jogo e está disposto a jogar. Nos comentários ao pé da entrevista ao vivo pelo Facebook, fica claro que ele alimenta sentimentos fortes contra e a favor. No final do bate-papo, usou exatamente essa divisão da torcida como argumento para convencer que a sua situação melhorou: antes, ele vivia nos extremos – quase unanimidade positiva, quando no Senado; quase unanimidade negativa, após a queda; agora, divide opiniões.

Demóstenes falou de tudo. De sua amizade – que já foi maior – com Carlos Cachoeira, de eleições no ano que vem para governador e presidente, de Lava Jato e de sua vocação para Mãe Dinah (bom para prever resultados eleitorais).

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Contou que tem pronto um livro sobre o que viveu nos últimos anos, mas garantiu que não vai publicá-lo agora. E revelou que os últimos acontecimentos resultaram em convites abertos para filiação ao PSDB, ao PTB e ao PP.

Os convites partiram, respectivamente, do vice-governador José Eliton, do deputado federal Jovair Arantes e do senador Wilder Morais. De Wilder, suplente que herdou o seu mandato, ele recebeu outro convite: para o aniversário comemorado ontem. Não foi, por motivos familiares, disse. Mas registrou que está tudo bem entre eles, apesar de uma de suas lutas imediatas ser a retomada do mandato, o que implicaria em afastamento de Wilder.

Só um nome tirou Demóstenes do sério: Ronaldo Caiado. Quando questionado sobre o comportamento de seu ex-partido, o DEM, no auge de seu purgatório, o ex-senador reagiu deixando escapar um pouco de raiva. O DEM o abandonou. Falhou com ele como o PSDB não falhou com Aécio Neves, fez questão de dizer. Ato seguinte, à menção de Caiado, a reação foi outra: quase soluço. Falou que foi desafiado, retrucou e Caiado se calou. Ponto. Disse sem dizer: assunto encerrado, a não ser que Caiado volte a ele. É esperar para ver.

Reação parecida a Ronaldo Caiado têm os governistas. Hoje a relação entre ele, o governador Marconi Perillo e José Eliton está um nível acima da definição que se dá a adversários. Os embates são públicos e privados. Sem papas na língua de todos os lados. E reação parecida ao democrata começa a surgir de outra parte: a dos peemedebistas próximos e defensores da candidatura de Daniel Vilela a governador. Para estes, Caiado está invadindo espaço; é, desde já, um adversário. Aí também o confronto está estabelecido, embora ainda no campo da sutileza.

Demóstenes evita a palavra mágoa. Isso não esconde o óbvio: Caiado é um nome que mexe com seus instintos. O que não o impede, porém, de citá-lo como um dos favoritos para o governo de Goiás, em 2018. Os outros são José Eliton e Maguito Vilela ou Daniel Vilela (PMDB). Para ele, a eleição vai se concentrar nesses três nomes. O ponto cego em relação a Caiado é o que parece consenso: com PMDB, ele é muito forte; sem o PMDB, uma incógnita.

Quem mais merece entusiasmo de Demóstenes é José Eliton. A afinidade entre os dois fica patente na entrevista. Como elogia o prefeito de São Paulo, João Dória, e faz referências positivas ao senador Tasso Jereissati, atual presidente do PSDB, a pergunta vem naturalmente: vai tucanar? Um sorriso. Nada decidido, garante. Por ora, só conversa. Em todos os sentidos. Em clima de campanha.

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