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Colunista

Vassil Oliveira

 

iris rezende e caiadoPela primeira vez o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, admitiu que o PMDB pode, sim, apoiar o senador Ronaldo Caiado (DEM) como candidato a governador de Goiás, no ano que vem.

Foi no final da entrevista à TVDG, na sexta-feira, 28.

Veja aqui:

- Vídeo: Escolhi secretários especiais para áreas especiais, diz Iris Rezende

Depois de se negar com veemência a falar de sucessão, insistindo que não é hora de tratar do assunto, Iris deixou escapulir a possibilidade de o seu partido não lançar candidato e, quem sabe, até apoiar Caiado.

Nada taxativo. Tudo no condicional. Mas está lá: pode ser.

É o ‘pode ser’ de quem, até agora, só falava ‘não pode ser’.

Toda vez que foi perguntado sobre o assunto nos últimos meses, Iris afirmou de forma direta: o PMDB terá candidato a governador. Não abre mão disso, insistia.

Caiado entrou de cabeça na campanha de Iris em Goiânia, no ano passado. Eleito, Iris escolheu uma filha sua para o primeiro escalão. Foi o que bastou para todos fazerem as contas: Iris vai retribuir o apoio com apoio em 2018.

Reforçando tudo estaria – ainda nas contas de bastidores – a relação turbulenta entre Iris e o deputado federal Daniel Vilela, presidente estadual da legenda e pré-candidato a governador.

Caiado e Daniel, longe das especulações, sempre mantiveram bom diálogo mútuo e o discurso de que, independente de suas pretensões e ações neste momento, a oposição precisa estar unida contra a base do governador Marconi Perillo (PSDB).

Neste ponto, três coisas a serem consideradas:

1 - os desgastes recentes de Daniel, que teve seu nome incluído na lista de Fachin sobre as doações da Odebrecht, reacenderam no PMDB a dúvida sobre o futuro da legenda. O entusiasmo ascendente em relação a Daniel (e Maguito, também citado) parou na insegurança sobre sua habilidade para reverter a situação;

2 – embora Caiado tenha torcedores dentro do PMDB, o apoio ao seu nome passa longe de ser consensual. O deputado estadual José Nelto, por exemplo, já se apresentou para ser candidato a governador, entre outras coisas, exatamente por discordar da solução Caiado;

3 – ainda que haja desacertos entre Daniel e Iris, os dois voltaram a conversar.

A nova declaração de Iris não define seu apoio nem sela o destino de seu partido. Assim como o desgaste momentâneo de Daniel não quer dizer que ele está fora do jogo. Bem conduzida, bem administrada, crise é oportunidade.

O que os fatos mostram é que o PMDB continua rachado, dividido. E se o PMDB está dividido e rachado, a oposição também está.

Como sempre, desde virada de 1998 – com a primeira vitória de Marconi –, a oposição em Goiás é, ela própria, sua maior adversária.

E pouco adianta argumentar que a base do governo também está rachada. Filme antigo. Em todas as pré-campanhas, a base governista estava como hoje.

A base começa desunida e termina coesa, com vitória. Quem começa rachada e rachada termina é a oposição.

Para mudar o final, só sob nova direção.

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