vassil 2017

Colunista

Vassil Oliveira

 

cine lula 1Na onda João Dória que assola o imaginário nacional, Dória é o novo, o exemplo de gestor probo e competente que o Brasil precisa para renovar de vez a sua carcomida política.

É o pós-Lava Jato.

Não importa se, na prática, a teoria seja literalmente outra.

Candidato a prefeito de São Paulo, Dória fez bem sua parte: prometendo não ser político tradicional, prometeu mudar tudo.

Mudar tudo para melhor, foi o que prometeu mais ainda, como manda a boa e velha política de resultados eleitorais.

Eleito, cumpriu o que prometeu, por outra via, como costumam fazer os melhores políticos do ramo depois de eleitos: em vez de mudar a realidade, mudou pontos de suas promessas.

Um ajuste aqui, outro ali, e, de quebra, o não cumprimento de outras promessas tantas, sempre com a mais elevada tergiversação a respeito da realidade. Ora, a realidade...

 

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Eis Dória, na essência. Gestor moderno, como se quer – ou se aceita.

Gestor aprovado assim mesmo, como mostraram as primeiras pesquisas.

Assaz palanqueiro, contumaz marqueteiro, Dória não inovou, mas ultrapassou com louvor os passos do companheiro José Serra, presidenciável fulminante.

Com ‘quatro anos em quatro meses’, ele já está com um pé de saída para ser o candidato dos tucanos a presidente da República. Quem sabe?!

Para entusiasmados defensores, Dória é o não-político ideal. Um nome passado a limpo. Ponto.

Embora esteja na política desde o governo Sarney, em ações e cargos estratégicos, como a presidência da Embratur.

E embora, também, tenha sido acusado pelo TCU, por exemplo, de “não contabilização de verbas obtidas em convênio no exterior”, quando no cargo (1987-1988).

Fácil, portanto, compreender o motivo de Dória estar sendo consagrado como o anti-Lula perfeito.

No sentido de candidato capaz de derrotá-lo e de representar a limpeza ética contra a multi-noticiada sujeira petista.

Dória quer Lula lá, garante.

"Essa é uma muda de pau-brasil. Vou dedicar o plantio dessa muda ao Lula, Luiz Inácio Lula da Silva, o maior cara de pau do Brasil. Presente para você, Lula", disse ele em evento do programa Cidade Limpa (nome apropriado) dia 14 de janeiro.

Dória quer o confronto com Lula como combate decisivo, quer a disputa nas urnas que vai definir o bem contra o mal. Quer a Presidência passando por cima do cadáver da imagem do petista.

Mais do que Dória, há uma legião de novosdoristas que querem o mesmo: o enfrentamento entre o prefeito e o ex-presidente.

Na promoção da luta, a mídia parceira exalta os seus predicados, ao mesmo tempo em que enfatiza os defeitos de Lula.

Tudo parte de um jogo maior, a luta de classes e interesses por excelência.

O mais incrível em tudo é isto.

Que o principal ponto da acusação a Lula, que pode inclusive levá-lo à cadeia, é ser lobista da Odebrecht.

Lula ajudou a empresa que ajuda todos os políticos. Lula é o lobista do mal.

A grande questão está em um detalhe de canto de página: não há uma prova cabal contra Lula; evidências, sem dúvida.

Lula lobista? Talvez. Informalmente, tudo leva a crer. Formalmente, só para os de contrita convicção.

E qual é a atividade indisfarçável, escancarada e mais do que divulgada de Dória, com a Lide?

O que dizer, entre outros produtos de ocasião, da venda de lugares em mesa de autoridade durante eventos onde se junta empresários e autoridades que decidem na órbita do Poder político e econômico brasileiro?

Lula lobista é o candidato a ser derrotado. Doria lobista é o candidato a ser eleito em nome de uma lógica inusitada.

Novesfora tudo, o país está em guerra entre os que fazem lobby para o político lobista e os que fazem lobby para o empresário lobista.

E todos juntos, imanados na condenação do lobby – e da polítca.

É o que temos para hoje.

Sem mais para o momento, despeço-me até o próximo post.

Obrigado pela atenção.

 

Contato com a redação:
(62) 99625-9856

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