vassil 2017

Colunista

Vassil Oliveira

 

Daniel Vilela, Marconi Perillo e Iris Rezende: A gestão da imagem em tempos de crise
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O rasgo na imagem dos cotados na lista do Fachin é grande e pode se aprofundar. Vai depender de duas coisas:

1) do tamanho do envolvimento, com desdobramentos jurídicos inevitáveis;

2) da administração da imagem.

Sobre o primeiro item: justiça seja feita.

Sobre o segundo: os amadores sempre ficam pelo caminho.

De saída, o que vimos foi a oficialização das justificativas.

Todos os envolvidos em Goiás emitiram desmentidos públicos de envolvimento em qualquer irregularidade.

E então cada um foi para um lado.


"Em política, tudo pode naquele que fortalece:

o bom marketing político".

 

O governador Marconi Perillo (PSDB) manteve programação de visitas ao interior do Estado.

Claro objetivo de passar normalidade, agenda para mostrar um governante que nada tem a temer.

Iris Rezende também cumpriu agenda no dia seguinte ao da denúncia. Atendeu a líder do Sintego. E despachou internamente.

Também aí a mensagem de tranquilidade - e serenidade.

O ex-governador Maguito Vilela e o deputado federal Daniel Vilela procuraram mostrar sintonia (resposta conjunta) e, depois, Daniel cuidou de firmar posição nas redes. Não se acomodou no desgaste.

Sandro Mabel e Demóstenes Torres ficaram em silêncio.

Foram os atingidos em cheio neste momento.

Quem têm mais a se preocupar, em tese: Marconi e Daniel.

Iris, Mabel e Demóstenes estão fora do foco eleitoral. Não são alvo imediato. A atenção acaba sendo menor.

Iris têm base popular e histórico de denúncias que morrem com o tempo, não o abalam.

Os demais podem esperar a poeira baixar para se reposicionar politicamente.

"Quem tem mais dificuldade em lidar

com as adversidades é o PMDB".

Demóstenes, por exemplo, alimenta sonho de candidatura. Mas quando isso vier a acontecer, se vier, o contexto será diferente.

Marconi e Daniel vivem outro momento.

O tucano é pré-candidato a senador, almeja disputar a vice-presidência, se vê até como candidato a presidente, está em campanha para ser presidente do PSDB, e busca eleger seu vice, José Eliton.

O peemedebista é desde já candidato a governador, contra principalmente Marconi/José Eliton.

O prejuízo na imagem deles é real e de consequências imediatas, com correspondência futura.

Marconi tem histórico de superação de crises como essa. Ele vai pra cima.

Costuma sair mais forte eleitoralmente, como saiu quando da Monte Carlo.

Leia mais:
Marconi vai para a ofensiva, em vez de padecer no desgaste da denúncia.

Quem tem mais dificuldade em lidar com as adversidades é o PMDB.

E digo PMDB porque Daniel foi testado antes, em outros casos menores, e não se saiu mal.

Neste, bem mais visível aos olhos do grande público, é que veremos até onde ele é capaz de ir.

Nos próximos dias e meses, sua ação vai determinar o tamanho de seu futuro eleitoral.

O PMDB é um caso à parte porque, nessas horas, costuma mais se dividir do que se unir.

E por si só já é um partido dividido no Estado há várias eleições.

Repare que, orquestrada por Marconi, a base governista sofre o baque do desgaste de seu líder mas não age contra ele. Aguarda a reação e depois segue a estratégia.

Os peemedebistas, não. Em vez de blindar em benefício político próprio, tratam de desconstruir os seus mais que os adversários.

Daniel foi atingido? Bem feito, dizem os colegas de partido dele que integram outra ala.

Chegam a dar sua candidatura ao governo como acabada. Sem chance - embora não digam o mesmo de Marconi.

Parece que, mais do que derrotar o inimigo comum, preferem ver o adversário interno fracassar.

Para o PMDB goiano, o triunfo não é a vitória conjunta, e sim a derrota do companheiro.

(Iris Rezende e Júnior Friboi que o digam.)

Junte-se a isso a falta completa de estratégia na ação. Cada um atira para um lado. E salve-se quem puder.

Sem uma liderança forte e única, como a base governista, os peemedebistas reagem batendo cabeça.

Implodem, em vez de explodir.

Mas isso é o que se tem de comportamento histórico. Será diferente agora?

Se for, teremos uma outra eleição.

Os dois, lutando com profissionalismo, significaria combate equilibrado, porque no geral são forças equivalentes.

Se não for, teremos o de sempre: Marconi quase cai e, quando se levanta, está mais forte; o PMDB quase ganha, não ganha por erros seus, e não do inimigo.

Uma visão entre oposicionistas é que o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) possa ser uma alternativa para representar o grupo.

No rastro das denúncias agora é fácil ouvir que ele sai mais forte, já que não foi citado.

E aí vem o questionamento: não será citado em nada? Porque, se for...

Mas este não é o único senão. O outro é o apontado aqui: será ele capaz de unir a oposição em torno de seu nome?

E neste ponto o seu maior adversário continua sendo ele: mesmo na oposição, sua (falta de) habilidade para aglutinar não entusiasma ninguém.

Sim, Marconi e Daniel têm o desafio da administração da imagem por conta das denúncias.

Mas Caiado também tem o seu: por não ter sido citado (ainda, dizem os adversários, em tom de torcida), não quer dizer que está eleito.

Por enquanto, os fatos dos últimos dias não mudam nada na disputa em Goiás. Apenas liquidificaram o jogo.

Leia mais:
A lista do Fachin e o liquidificador eleitoral em Goiás.

Os protagonistas continuam os de sempre, e o campo de guerra está como antes: polarizado em PMDB X Marconi.

Inclusive segue em aberta a possibilidade de surgimento de um nome novo, sobre o qual nada está se falando.

Será o novo um outsider, ainda que fake como João Dória?

Em política, tudo pode naquele que fortalece: o bom marketing político.

Imagem e semelhança agora e na hora da urna.


 

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