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Colunista

Samuel Straioto

 

Sede do Jóquei pode dar lugar a uma igreja (Foto: Site ArchDaily)
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A venda da área do Jóquei Clube no Centro da capital deverá mesmo ser concretizada. A administração do mais antigo clube de Goiânia tenta quitar uma dívida de aproximadamente R$ 40 milhões para “começar do zero” uma nova história na área situada no Hipódromo da Lagoinha na Cidade Jardim. No entanto, “começar do zero”, significa demolir uma importante parte da história de Goiânia.

Por várias vezes tenho destacado neste espaço, a falta de preocupação em se preservar a história de Goiânia. Ao longo dos 84 anos da cidade, não houve um pensamento coletivo em proteger fatos que remetem à nossa origem.

Na atualidade, constantemente no Centro da capital, casas são abandonadas, usuários drogas, moradores de rua, bandidos usam o local para praticar diversos atos. O bem vai ficando numa condição em que as pessoas que moram nas proximidades do imóvel defendem uma mudança, e com isso uma construção histórica é demolida, dando lugar a prédios, comércios e estacionamentos.

A venda do Jóquei, com a provável demolição da construção edificada no início dos anos 1960 para dar possivelmente lugar a um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, é mais um triste capítulo na história da cidade. A sede do Jóquei está ligada com a origem da capital, descaracterizar ainda mais o local é apagar parte da memória de Goiânia.

A sede do Jóquei em Goiânia não é mais ocupada. O clube que inicialmente foi frequentado pela elite, depois ocupado por uma classe mais popular, principalmente nos bailes de carnaval, hoje está em situação de abandono. O Jóquei que outrora era sinônimo de grandeza na capital, inclusive com importantes marcas no esporte goiano, foi adormecendo na memória dos goianienses.

Não houve preocupação das autoridades e da sociedade em preservá-lo. O desinteresse foi aumentando, alternativas de lazer foram aparecendo, os sócios já não pagavam as mensalidades, o clube já não era tão frequentado. Uma grande caixa de concreto no coração da cidade.

A história do Jóquei já havia sido agredida. No passado uma pequena mata nas extremidades foi derrubada. Uma nascente do Córrego Buritis foi soterrada. Um espaço de convivência que havia, deu lugar a um imenso pedaço de concreto, que hoje abriga carros. Um estacionamento surgiu numa polêmica relação com o grupo da Faculdade Padrão.

O Jóquei está morrendo. Construir uma nova história é apagar o passado. Apagar o passado é esquecer as origens. Defendo que o poder público estadual ou municipal compre a área, dê uso público, faça a recomposição do local, volte a dar o significado histórico. Muito se fala em revitalização do Centro, esta seria uma alternativa para fomentar o esporte e o lazer.

Poderia se oferecer diferentes modalidades de iniciação esportiva, fomentar a competição de alto rendimento esportivo, e aos finais de semana oferecer um espaço de lazer a população de Goiânia, atrelado a uma consciência histórica, que dia após dia vai se perdendo. Vejo que esta é a alternativa para que parte da origem da cidade não seja demolida.

Contato com a redação:
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