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Colunista

Samuel Straioto

 

Nível do Meia Ponte foi normalizado após chuvas (Foto: Facebook da Saneago)
rio meia ponte foto facebook da saneago

No final do mês de outubro a população sofria com a escassez de água em muitos pontos da Grande Goiânia. A Saneago constantemente informava da baixa vazão no Rio Meia Ponte, responsável pelo abastecimento de metade da capital e de algumas regiões em cidades vizinhas. A reclamação era constante, pessoas com roupas para lavar, vasilhas sujas nas pias, comércios prejudicados, entre várias situações desagradáveis. A chuva veio, os reservatórios encheram. Alguém se lembra da Crise Hídrica?

Em 20 dias o quadro é completamente diferente. O clamor por chuva já não acontece mais. Chove de forma regular nas últimas semanas. A chuva aliviou bastante, e basta passarmos por um córrego, um ribeirão ou um rio e podemos ver que já não estão secos mais. Voltar a chover é bom e é providência de Deus. Mas o que nós estamos fazendo para que no ano seguinte não tenhamos mais um “stress hídrico”?

Algumas medidas podemos tomar já neste período chuvoso. Ações simples podem ajudar a reduzir o consumo de água e preservar o bem precioso que nós precisamos para nos manter no dia a dia.

Podemos separar recipientes para armazenar água da chuva e utilizar para limpar a casa, dar descarga no vaso sanitário, lavar a roupa, entre outras situações domésticas. Pode parecer pouco, mas é importante para não apenas diminuir o consumo de água, mas fazer um uso mais sustentável deste bem.

Além disso, devemos nos preocupar em manter áreas permeáveis em nossas casas, para que a água penetre no lençol freático e não simplesmente escorra, caindo nos mananciais e evaporando mais rapidamente. As prefeituras deveriam incentivar o aumento da permeabilidade, trazendo orientação e fiscalizando. No entanto, as administrações ultimamente se preocupam muito em arrecadar, mas tem deixado de lado, uma assistência ao cidadão.

No âmbito estadual, a Saneago precisa acelerar o processo de interligação do Sistema Mauro Borges, no Ribeirão João Leite. Não adianta ter um grande e belo reservatório, sendo que a água não chega na ponta da torneira. Por mais que os técnicos da estatal trabalharam bastante para garantir o abastecimento, é preciso desde já planejar o período de estiagem do próximo ano.

A Secima, órgão ambiental do governo estadual precisa ser mais dura na fiscalização. Deve punir quem não tem outorga para captar água. E aqueles que tem outorga devem ser obrigados a ter alguma contrapartida, como proteger melhor as matas ciliares, recuperar margens de rios e córregos.

Enfim, são medidas de todos lados que podemos tomar. O que não se pode é esquecer o assunto. A chuva está aí e aliviou. Mas agora que voltamos a ter água, precisamos continuar discutindo a questão, para que não haja um sofrimento mais profundo e intenso no próximo período de estiagem.

 

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