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Colunista

Samuel Straioto

 

Estação Ferroviária em Catalão construída em 1942 (Foto: Samuel Straioto)
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No próximo dia 27 de maio, há uma data importante na linha do tempo em nosso estado. No final do mês já terão se passado 105 anos que se concluiu a ponte sob o rio Paranaíba, denominada Engenheiro Bethout, na divisa entre Minas Gerais e Goiás. A finalização da ponte representa o marco inicial da Estrada de Ferro em Goyaz.

Naquela época, até então tudo chegava ou saía pelo carro de boi, não havia boas estradas, as facilidades da comunicação moderna estavam longe de chegar por estas bandas. Sem dúvida a ferrovia foi o primeiro instrumento para encurtar o atraso de Goiás em relação a outras regiões.

A conclusão da ponte representava a esperança de aproximar o estado das principais regiões do país, de diminuir as distâncias, um ano depois o trem já corria manso, que nem água em cabeceira de rio, o piuií tic tac enchia os ouvidos das pessoas de expectativas.

A Estrada de Ferro Goyaz faz parte de antigos planos de integração nacional, alguns oriundos ainda da época do Império Brasileiro. O estado de Goiás localizado em uma zona estratégica do país ficaria como intermediário entre a então capital Imperial, Rio de Janeiro, e as regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil.

Este e outros projetos de integração do interior do país, por várias vezes, foram modificados e não chegaram a ser concluídos conforme previsão. Ainda nos nossos dias, o Brasil faz o contrário de outras ações e não prioriza o sistema ferroviário.

Nada contra as rodovias, mas em outros lugares o caminhão leva as cargas até a ferrovia. O resto o trem faz. No final do percurso, outro caminhão busca o material e leva até a distribuição final.

É mais seguro para o caminhoneiro, que não precisa fazer longas viagens. É mais seguro ainda, pois evita veículos trafegarem com excesso de peso, que danificam nossas rodovias, aumentam os gastos com manutenção, e ainda a probabilidade de acidentes.

O trem transformou Goiás, sem dúvida alguma a ferrovia foi um importante mecanismo de interiorização do estado, cidades já existentes se desenvolveram, mais de uma dezena se formou ao longo dos trilhos goianos.

Aonde a ferrovia chegava, trazia desenvolvimento, progresso. Por ela chegou o telégrafo, agência bancária, cinema, comércio.

Ao longo dos anos a ferrovia foi um importante mecanismo para interiorização do território goiano, para o desenvolvimento econômico local, para o surgimento e crescimento de várias cidades. O trem foi e ainda é sinônimo de progresso na área sudeste do estado, mais conhecida como Região da Estrada de Ferro.

Por onde o trem passou jamais as marcas foram esquecidas, a paisagem mudou. O trem fica no imaginário das pessoas. Até hoje quem era criança na época do trem de passageiros, tem o desejo de que um pouquinho daquela época volte.

Nestes quase 105 anos da Goyaz, vale ressaltar um trabalho que tem sido feito pelo Fórum dos Gestores Culturais da Estrada de Ferro. O grupo tem se esforçado para trazer de volta a alegria de andar num trem. Está sendo desenvolvido projeto para a implantação do trem turístico de passageiros.

Para encerrar, vale reforçar que foi grande a contribuição desta ferrovia para Goiás. Na atualidade ela ainda “presta” relevantes serviços. Ela também tem importância na história de muitas cidades, sem a ferrovia vários municípios não existiram. Que o trem continue seguindo o seu caminho por estas bandas goianas.

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